A suspensão das importações de carne do Brasil condiciona as quantidades pactuadas no Mercosul

No dia 3 de setembro entrou em vigor um Regulamento que proíbe a entrada na União Europeia de animais ou produtos de origem animal tratados com antimicrobianos (hormonas de crescimento e antibióticos)

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Exigir a países terceiros as mesmas condições de produção estabelecidas para pecuaristas europeus. Esse é o objetivo do Regulamento de Execução que entrou em vigor no passado dia 3 de setembro, quando se proibiu a entrada na UE de carne de bovino, aves, equinos, aquicultura, mel e tripas provenientes do Brasil, porque os animais de origem podem ter sido tratados com antimicrobianos como hormonas de crescimento e antibióticos destinados a humanos.

Do setor pecuário-carnes espanhol aplaudem a aplicação desta normativa e a consideram um ponto de inflexão no controle das importações de países terceiros, embora peçam para mantê-la com contundência.

O Regulamento de Execução afeta os produtos sinalizados (carne de bovino, carne e vísceras comestíveis de aves, equino, aquicultura, mel e tripas) provenientes do Brasil, sendo os dois primeiros os mais numerosos.

Esses alimentos podem chegar ao mercado espanhol (o terceiro europeu em importância após Países Baixos e Alemanha) de duas formas: frescos ou congelados. A restauração coletiva e a indústria alimentar são dois dos destinos principais da carne congelada, enquanto a carne fresca também pode ser encontrada em alguns estabelecimentos.

Por isso, uma recomendação para os consumidores que queiram garantir que adquirem produto espanhol é buscar a origem na rotulagem.

Acordo do Mercosul

Esta proibição aos produtos brasileiros tem mais importância porque chega apenas quatro meses depois da entrada em vigor do Acordo do Mercosul, o polêmico tratado comercial entre a União Europeia e o cone sul da América que colocou o campo europeu em pé de guerra e no qual o Brasil é a principal potência exportadora.

De fato, várias organizações que representam a cadeia pecuária-carnes espanhola criticam que a proibição da entrada de produtos brasileiros de origem animal tenha sido adiada por vários meses, já que foi um período aproveitado pelo Brasil para aumentar suas exportações (no caso da carne de frango, 27,5% a mais em julho e 21,9% em agosto, segundo Eurostat).

Por sua parte, fontes da Associação Espanhola de Produtos de Bovino de Carne, Asoprovac, comentam ao Demócrata que desde o passado mês de fevereiro o preço do bovino não para de cair, situando-se já perto do 5% da média dos três anos anteriores, que é a linha estabelecida para colocar em funcionamento os mecanismos de salvaguarda da União Europeia no Acordo com o Mercosul.

Maior controle na fronteira

Os pecuaristas e a indústria de carne espanhola também exigem que se invistam mais recursos para realizar o controle na fronteira das importações provenientes de terceiros países, a fim de garantir a rastreabilidade e a segurança das partidas que entram no mercado único dos 27.

Por outro lado, consideram que antes de reabrir o mercado com o Brasil, além de revisar a documentação necessária se realize uma inspeção in situ que garanta o cumprimento das exigências europeias.

Além disso, também se expressa a necessidade de estabelecer um controle sobre o estradiol, uma substância hormonal proibida na Europa desde a década de 80 que ainda é utilizada no Brasil, conforme evidenciou uma inspeção europeia realizada no gigante sul-americano em outubro de 2025.

"O 3 de setembro de 2026 não pode ser apenas uma data em um Regulamento, deve ser o início de uma nova etapa de controles efetivos, rastreabilidade real e garantias iguais para todos os produtos que acessem ao mercado europeu" concluíram várias entidades pecuárias e de carne entre as quais se encontra Anafric, Anice, Anprogapor, ASAJA, Asoprovac, Avianza, Cedecarne, Cooperativas Agroalimentaria de Espanha, Cesfac, Fecic, JARC, Ugavan e UPA.