A paradoxo de Trump: terá que entregar a Taça à "gente má" da Espanha se La Roja ganhar o Mundial no domingo

A ironia política que paira sobre a final da Copa do Mundo de 2026: o mandatário estadunidense, que criticou duramente a Espanha, poderia ser o encarregado de coroar a La Roja em Nova York

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El presidente estadounidense, Donald Trump Europa Press/Contacto/Marek Ladzinski
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A Copa do Mundo 2026 pode terminar com uma das imagens mais paradoxais do campeonato. Se a seleção espanhola ganhar a final do próximo domingo, Donald Trump terá que entregar o troféu de campeão à La Roja apenas alguns dias depois de ter classificado a Espanha como uma "causa perdida" e aos espanhóis como "gente ruim".

A cena já não é uma possibilidade remota. A Espanha se classificou para a final após derrotar por 2-0 a França e lutará por sua segunda estrela no domingo, 19 de julho, no estádio de Nova York-Nova Jersey. Seu rival sairá da semifinal que enfrenta nesta quarta-feira Argentina e Inglaterra.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, confirmou em junho que Trump estará presente na partida e participará diretamente da entrega do troféu. "Estaremos juntos com o presidente, desfrutando da final e entregando juntos o troféu ao vencedor, claro", explicou Infantino em uma entrevista à Fox & Friends.

Portanto, se La Roja se proclamar campeã, será o próprio Trump quem terá que felicitar o capitão espanhol e colocar em suas mãos a Copa do Mundo.

Trump entregará o troféu

A presença do presidente norte-americano na cerimônia significará uma modificação do protocolo seguido nas últimas Copas do Mundo. Na Rússia 2018 e no Catar 2022 foi Infantino quem entregou o troféu, acompanhado por representantes políticos do país anfitrião.

Nesta ocasião, o presidente da FIFA quis conceder a Trump um papel protagonista. Ambos entregarão conjuntamente a Copa ao capitão da seleção vencedora, segundo confirmou o próprio Infantino.

A final será disputada no domingo, 19 de julho, às 21h00 na Espanha, no estádio de Nova York-Nova Jersey, situado em East Rutherford. O recinto já acolheu em 2025 a final do Mundial de Clubes, cuja cerimônia Trump permaneceu sobre o palco junto aos jogadores do Chelsea após a entrega do título.

De chamar "gente ruim" à Espanha a poder entregar-lhe a Copa

A possível fotografia com o capitão da Espanha adquire uma dimensão especialmente significativa pelas palavras pronunciadas por Trump durante a recente cúpula da OTAN realizada em Ancara.

O mandatário norte-americano atacou a Espanha por não apoiar sua ofensiva contra o Irã, por impedir o uso das bases de Morón e Rota para essa operação e por suas divergências sobre o objetivo de elevar o gasto em defesa até 5% do produto interno bruto.

"Espanha é uma causa perdida", afirmou Trump durante um de seus ataques mais duros. O presidente norte-americano acrescentou que os espanhóis eram "gente ruim" e chegou a reivindicar a suspensão de "todo o comércio" com a Espanha, inclusive as visitas.

"Não pagam, não participam e não quero ter nada a ver com eles", sustentou também durante a cúpula.

Dias antes, Trump já havia apontado diretamente para os cidadãos espanhóis: "Os espanhóis pertencem à OTAN, mas não são muito bons membros". O presidente norte-americano acusou então a Espanha de não estar "se comportando bem" e lançou um aviso: "Logo aprenderão".

Espanha vai disputar sua segunda estrela

La Roja chega à final depois de impor-se com autoridade à França. Os gols de Mikel Oyarzabal, de pênalti, e Pedro Porro certificaram o 2-0 e o retorno da Espanha à última partida de uma Copa do Mundo pela primeira vez desde a África do Sul 2010.

Espanha buscará agora seu segundo campeonato mundial e conhecerá nesta quarta-feira seu adversário. Argentina, atual campeã, e Inglaterra disputarão a segunda semifinal em Atlanta.

Se os jogadores de Luis de la Fuente conquistarem o título, Trump terá que apertar a mão, parabenizar e entregar o troféu aos representantes desse mesmo país ao qual havia apresentado como um mau aliado e uma "causa perdida". A cerimônia deixaria uma fotografia carregada de ironia política: o presidente norte-americano entregando o maior título do futebol mundial à seleção da "gente ruim".

Trump depois amenizou seus ataques contra a Espanha

A tensão entre Washington e Madri, no entanto, foi parcialmente reduzida durante o segundo dia da cúpula da OTAN. Após conhecer as novas contribuições espanholas à Aliança, Trump mudou de tom e assegurou que a Espanha havia "se redimido completamente".

"Tive problemas com a Espanha e continuo tendo, mas hoje se redimiu completamente", afirmou. Também sustentou que o país havia se mostrado "muito generoso" ao atender determinados compromissos econômicos.

Essa mudança não apaga as desqualificações pronunciadas algumas horas antes, mas sim introduz um matiz na relação entre ambos os países. Trump passou em apenas um dia de apresentar a Espanha como uma «causa perdida» a celebrar sua contribuição à OTAN.