Xi reclama normas e controle global para garantir a segurança da Inteligência Artificial

Xi Jinping reclama um marco global de leis e supervisão para uma IA segura, controlável e orientada ao bem comum sob um verdadeiro multilateralismo.

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O presidente da China, Xi Jinping, instou nesta sexta-feira a colocar em marcha marcos legais e mecanismos de supervisão que articulem uma governança mundial da Inteligência Artificial (IA), com o objetivo de reforçar sua segurança, impedir abusos e consolidar uma tecnologia "segura e controlável" que, segundo Pequim, deve ser "motor importante para a prosperidade compartilhada e a segurança comum".

"Na opinião da China, todos os países deveriam adotar uma abordagem centrada nas pessoas e desenvolver a IA com fins positivos e para o bem comum", destacou o dirigente do gigante asiático durante uma conferência dedicada à IA realizada na cidade de Xangai.

Nessa linha, ele reivindicou "garantir que a IA seja um motor importante para a prosperidade compartilhada e a segurança comum". "Devemos unir forças para construir um sistema justo e equitativo de governança global da IA", insistiu o mandatário, apelando a uma ação coordenada entre países.

Xi situou como eixo central o "princípio de abertura e benefício mútuo", ressaltando que a IA será "motor do crescimento econômico mundial e acelerador da mudança". Por isso, pediu "fomentar o código aberto, a abertura, a colaboração e a troca", de forma que se impulse um ecossistema tecnológico mais cooperativo.

Com essa abordagem, o presidente chinês descreveu um cenário em que se facilite a inovação tecnológica, o desenvolvimento industrial e a implantação de soluções de IA em múltiplos âmbitos, apoiando-se de maneira "coordenada, na transformação e modernização das indústrias tradicionais, o fomento e o crescimento das indústrias emergentes e o planejamento com visão de futuro para as indústrias do futuro".

Como segundo pilar, Xi defendeu uma IA "segura e controlável" que funcione como ferramenta confiável para a humanidade. "Devemos levar a sério os diversos tipos de riscos inerentes e secundários que a IA possa provocar. Devemos estabelecer leis e regulamentos, assim como sistemas de supervisão tecnológica, alerta precoce e resposta a emergências, com o fim de reforçar a segurança, prevenir abusos e o uso mal-intencionado, e garantir que a IA esteja sempre sob controle humano", expôs, advertindo ainda que o conceito de "segurança nacional" não deve se tornar um freio para essa governança.

Ao mesmo tempo, ressaltou que o sistema global de regulação deve ser inclusivo e favorecer a aprendizagem mútua entre diferentes "civilizações". "O desenvolvimento da IA e sua aplicação não devem erosionar nem minar a diversidade das civilizações do mundo nem a singularidade das culturas dos diferentes países", afirmou, antes de acrescentar que esta tecnologia deve respeitar os valores compartilhados pela humanidade e que é necessário "cuidar do jardim das civilizações com grande esmero para garantir que se aprecie e se compartilhe a beleza de cada uma delas".

Xi reiterou seu apelo para reforçar a governança global da IA dentro de uma abordagem de "verdadeiro multilateralismo" na qual as Nações Unidas tenham um papel destacado. "Devemos melhorar a harmonização e a coordenação em matéria de estratégias de desenvolvimento da IA, normas de governança e padrões técnicos, a fim de estabelecer o quanto antes um marco de governança global baseado no consenso que permita que esta tecnologia de ponta beneficie melhor a humanidade", ressaltou.