A 'revolução pendente' andaluza: Rafael Sánchez Saus, o novo viceconselheiro de Turismo com passado falangista

O historiador Rafael Sánchez Saus, nomeado pelo Vox como número dois de Turismo, militou na Falange Espanhola e chegou a optar por dirigir a formação.

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A incorporação de Rafael Sánchez Saus como novo vice-conselheiro de Turismo, Justiça, Desregulação e Administração Local dentro da cota do Vox na Junta da Andaluzia fez soar os alarmes por seu passado político.

Seu trajeto acadêmico convive com um passado ligado à Falange Española e com posições muito críticas em relação ao Estado das autonomias e à interpretação histórica de Al-Ándalus, o que provocou uma onda de reações apenas algumas horas depois de sua designação.

Quem é Rafael Sánchez Saus

Rafael Sánchez Saus (Albacete, 1956) é doutor em História pela Universidade Complutense de Madrid, catedrático de História Medieval na Universidade de Cádiz e ex-reitor da Universidade CEU San Pablo, além de reitor honorário desta instituição.

Também faz parte da Associação Católica de Propagandistas (ACdP), uma organização de inspiração católica com presença em distintos âmbitos da vida pública espanhola.

Seu nomeação como vice-conselheiro de Turismo, Justiça, Desregulação e Administração Local foi aprovada pelo Conselho de Governo andaluz dentro da nova estrutura pactuada entre o PP e o Vox para o Executivo autonômico do 'popular' Juanma Moreno.

Seu passado na Falange

A polêmica se concentrou em seu passado como militante da Falange Española, formação na qual chegou a se apresentar como candidato durante os anos oitenta.

O próprio Sánchez Saus reconheceu essa etapa, embora assegure que "não representa minha forma de pensar hoje" e sustenta que essa vinculação não condicionará seu trabalho institucional como vice-conselheiro.

Suas explicações não evitaram que a oposição questionasse sua idoneidade para ocupar um alto cargo no Governo andaluz.

Muito crítico com o Estado autonômico

Além de seu passado político, Sánchez Saus é conhecido pelas teses que defendeu em vários de seus livros.

Defende uma concepção muito marcada da identidade nacional espanhola e considera que o Estado das autonomias representa um dos principais riscos para a unidade da Espanha.

Em suas publicações, sustenta que a contínua erosão dos elementos comuns da nação pode acabar enfraquecendo a coesão do país.

Essas posições coincidem com algumas das principais propostas políticas defendidas pelo Vox em matéria territorial.

Sua visão sobre Al-Ándalus

Outro dos aspectos que reavivou o debate é sua interpretação histórica de Al-Ándalus.

Sánchez Saus rejeita a ideia de uma convivência exemplar entre muçulmanos, cristãos e judeus, ao considerar que esse relato constitui uma "falsificação histórica". Segundo sustenta em suas obras, o domínio muçulmano supôs um sistema de submissão política e religiosa sobre a população cristã da Península.

Seus planteamentos chocam com parte do discurso institucional da própria Junta de Andalucía, que promove internacionalmente o legado andalusí como um dos grandes atrativos turísticos e culturais da comunidade.

As críticas da oposição

A nomeação provocou uma imediata reação política. PSOE e Adelante Andalucía exigiram explicações ao presidente andaluz, Juanma Moreno, por incorporar a um alto cargo com esse passado ideológico e essas posições públicas.

Desde o PSOE consideram que o presidente deve esclarecer se compartilha esse perfil para fazer parte do Executivo, enquanto que Adelante Andalucía pediu diretamente sua destituição.

O que diz o Governo de Juanma Moreno

Por enquanto, a Junta de Andalucía evitou entrar na polêmica em público pelo passado falangista de seu novo vice-conselheiro.

Segundo apontam fontes do governo autonômico ao eldiario.es, o chefe do Executivo andaluz desconhecia o passado falangista de Sánchez Saus quando foi designado responsável pela conselharia de Turismo.

Apesar disso, desde o Governo andaluz apoiam a nomeação e sustentam que responde à sua trajetória acadêmica e profissional, apontam as mesmas fontes ao citado meio