Daniel Vila tem reclamado mais regulação e planejamento público para enfrentar o problema do acesso à moradia na Espanha. Durante uma intervenção em laSexta Xplica, o economista sustentou que a crise imobiliária demonstrou que o mercado e o financiamento hipotecário também podem provocar graves desequilíbrios quando funcionam sem controles suficientes.
Vila resumiu seu argumento com uma referência à crise do tijolo: "O mercado e a hipoteca nos colocaram a crise". A partir dessa ideia, defendeu que o Estado deve intervir mediante regulação e planejamento. Sua proposta não passa por eliminar o mercado privado, mas por evitar que seja o único mecanismo para organizar o acesso à moradia.
O economista considera que o debate costuma ser colocado como uma escolha entre liberdade de mercado ou controle público, quando, a seu ver, todas as administrações intervêm de uma forma ou de outra.
A prorrogação dos aluguéis
Vila também se referiu ao decreto que o Governo prepara para recuperar medidas relacionadas à prorrogação de determinados contratos de aluguel. O economista defendeu que este tipo de iniciativa pode oferecer uma margem de proteção às famílias vulneráveis, embora tenha reconhecido que não resolvem por si só os problemas estruturais do mercado.
Segundo sua análise, as prorrogações aprovadas em ocasiões anteriores não provocaram o impacto econômico que seus detratores auguravam e permitiram que milhares de lares enfrentassem situações de risco sem perder temporariamente sua moradia.
Proteger as famílias vulneráveis
Durante sua intervenção, Vila situou a prevenção dos despejos entre as prioridades das políticas públicas.
A seu ver, as administrações devem evitar que as famílias em situação de vulnerabilidade percam sua moradia sem dispor de uma alternativa habitacional.
Defendeu combinar medidas de proteção imediata com um planejamento a longo prazo que permita aumentar o parque de moradias acessíveis e reduzir a pressão sobre o mercado de aluguel.
O exemplo do Plano Vive de Madri
O economista citou como exemplo a Comunidade de Madri para defender que a intervenção pública em matéria de moradia não é exclusiva de governos de esquerda.
Citando programas como o Plano Vive e o Plano Reside, ele apontou que mesmo as administrações que apostam no mercado decidem onde, como e sob que condições são construídas moradias protegidas ou de aluguel acessível por meio de colaboração público-privada. Para Vila, esses projetos evidenciam que o planejamento público faz parte de qualquer política habitacional.
Regulamentação e aumento da oferta
O economista considera que o debate sobre a moradia deve combinar diferentes ferramentas, como o aumento da construção, a ampliação do parque público, a regulamentação do aluguel, a limitação dos usos turísticos ou a melhoria do acesso ao financiamento.
Em sua opinião, o planejamento público deve estar presente em qualquer estratégia para facilitar o acesso à moradia. Embora não tenha proposto um modelo único, ele insistiu que o Estado deve assumir um papel ativo tanto na proteção dos lares quanto na criação de uma oferta de moradia acessível.