A Mesa do Tabaco denuncia que a nova Lei do Tabaco é aprovada sem o parecer do Conselho de Estado

A Mesa do Tabaco critica a tramitação da Lei 28/2005 sem parecer do Conselho de Estado e alerta sobre o impacto das novas restrições.

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A Mesa do Tabaco, que agrupa os principais agentes da cadeia do tabaco na Espanha, sublinhou que o Projeto de Lei 28/2005, de medidas sanitárias contra o tabagismo e reguladora da venda, do fornecimento, do consumo e da publicidade dos produtos do tabaco, foi adiante nesta terça-feira no Conselho de Ministros "sem previamente" obter o parecer do Conselho de Estado, um relatório preceptivo para os anteprojetos que desenvolvem o Direito do Projeto de Lei 28/2005.

Em relação à proibição de fumar nas varandas de bares e restaurantes, a organização lembra que a França deixou de fora as varandas de sua reforma e que a tramitação parlamentar naquele país será prolongada, enquanto a restrição geral de fumar em varandas só foi implantada na Suécia, em um cenário muito distinto do espanhol e marcado por uma forte aposta regulatória em produtos alternativos, conforme aponta em um comunicado.

Neste sentido, alerta que anunciar no pleno mês de julho a ampliação dos espaços sem fumaça pode "gerar confusão" entre a população, justo em plena campanha turística e em um período de máxima atividade para a hotelaria e a restauração. Por isso, ressalta que o debate parlamentar não começará até setembro e que o texto deverá ser discutido e votado nas Cortes Gerais, um trâmite que qualifica como, no mínimo, "longo e complexo".

Ao mesmo tempo, o setor do tabaco destaca a profunda transformação que vive nos últimos anos, com a irrupção de novas categorias de produtos sem combustão, fruto de processos de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. "Essa evolução exige uma regulação capaz de reconhecer suas características específicas e as diferenças existentes entre uns produtos e outros", precisou.

Neste marco, reclamam que qualquer modificação normativa se baseie na evidência científica disponível, leve em conta a dinâmica do mercado e evite uma equiparação indiscriminada que impeça a inovação e o avanço de alternativas dirigidas a consumidores adultos, de acordo com os princípios de boa regulação.

Por isso, a principal demanda do setor é avançar em direção a uma "regulação diferenciada" que contemple as particularidades de cada tipo de produto.

Da mesma forma, a Mesa do Tabaco aponta que a reforma inclui, entre outras questões, a equiparação regulatória das distintas categorias de produtos do tabaco e a extensão dos espaços livres de fumo.

O calendário dessa tramitação coincide com a revisão já em andamento na Comissão Europeia das diretrizes que regulam essas mesmas matérias e que configurarão o futuro marco normativo comunitário.

Neste cenário, a entidade considera "essencial" sincronizar a regulação espanhola com os prazos europeus para assegurar a coerência normativa, evitar sobreposições e sucessivas mudanças regulatórias e proteger a unidade do mercado interno.

A Mesa do Tabaco insiste ainda que qualquer regulação deve contemplar o peso econômico e o emprego associado à cadeia de valor do tabaco, que aporta 3.755 milhões de euros ao PIB, mantém cerca de 61.500 postos de trabalho e gera mais de 10.100 milhões de euros em receitas tributárias.

Por fim, a associação reitera seu "compromisso" com a proteção dos menores e rejeita de plano qualquer prática contrária a este princípio. "Uma regulação equilibrada, proporcionada e baseada em evidência científica é plenamente compatível com a proteção efetiva dos menores. Todos os nossos produtos se dirigem exclusivamente a fumadores adultos, e são comercializados principalmente através de tabacarias, que garantem a proteção dos menores", destacou.