União de Uniões vê "necessário" que a reação da Espanha e da União Europeia (UE) diante da entrada ilegal de milhares de pessoas em Ceuta não desembolque em mais concessões comerciais, financeiras ou produtivas a Marrocos que acabem prejudicando agricultores e pecuaristas espanhóis, segundo aponta a organização em um comunicado.
A entidade agrária sublinha que a resposta política aos "gravíssimos incidentes" ocorridos na cidade autônoma de Ceuta, e em menor grau também em Melilla, deve se concentrar em reforçar a proteção das fronteiras, combater as redes de tráfico de pessoas e ordenar os fluxos migratórios, evitando carregar esses custos sobre o setor agrário.
A organização lembra que, embora por enquanto não tenha sido tornada pública nenhuma medida de caráter especificamente agrário nem tenha sido anunciada uma ampliação das preferências comerciais aos produtos marroquinos, a própria UE já expressou em janeiro seu propósito de atualizar suas relações comerciais com Marrocos, facilitar investimentos estratégicos e estreitar a cooperação no âmbito agrícola.
"Os lamentáveis incidentes do dia 30 de julho não podem servir de desculpa para expor ainda mais nossa agricultura a importações que não cumprem as exigências produtivas europeias", advertiram da União de Uniões.
A organização considera "imprescindível" que o Governo espanhol e a Comissão esclareçam com rapidez e de "forma transparente" o alcance de qualquer negociação e assegurem que o setor agrário não será utilizado como moeda de troca dentro de um pacto mais amplo.
A inquietude pela falta de transparência se liga ao Memorando de Entendimento em matéria agrícola e agroalimentar assinado entre Espanha e Marrocos em dezembro do ano passado, cujo conteúdo o Ministério da Agricultura se negou a revelar alegando "a salvaguarda dos interesses das relações exteriores do Governo da Espanha, assim como de seus interesses comerciais e econômicos". "É complicado que no campo confiemos no que vão acordar com esses precedentes", lembraram.
Nesse contexto, a organização adverte que a cooperação com Marrocos em migração e controle de fronteira não deve ser articulada por meio de contrapartidas que reforcem a capacidade agroexportadora marroquina ou aumentem a pressão sobre os mercados agrícolas espanhóis e comunitários.
"Vamos a estar atentos a como se desenvolvem os acontecimentos e preparados para responder se forem implementadas medidas comerciais ou econômicas que prejudiquem os produtores espanhóis", asseguraram.