ANC e Òmnium chamam para uma Diada de mobilização massiva: Não basta sentir-se independentista

ANC, Òmnium e outras entidades chamam para uma grande mobilização independentista na Diada com marchas em Barcelona, Girona e Amposta.

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A Assembleia Nacional Catalã (ANC), Òmnium, a AMI, o Conselho da República (CdRep), a Intersindical e o Ciemen fizeram esta terça-feira um apelo conjunto à cidadania para que se mobilize de forma unitária na Diada de 11 de setembro. "Não basta sentir-se independentista. É preciso estar, é preciso mobilizar-se", sublinhou o presidente da ANC, Josep Vila.

Os responsáveis pelas seis organizações detalharam em uma coletiva de imprensa em Barcelona as marchas previstas para a tarde de 11 de setembro em Barcelona, Girona e Amposta (Tarragona). Sob o lema "Hi soc. Hi som", querem evidenciar que a sociedade civil independentista, "contra o que se diz frequentemente, não desapareceu", segundo afirmou o presidente de Òmnium, Xavier Antich.

Em Barcelona, serão organizadas duas colunas. A primeira, sob o conceito "Present", sairá da Gran Via com a rua Casanova, continuará pela Ronda Universitat e concluirá na praça Catalunya. Ali se encontrará com a coluna "Futur", que partirá da Via Laietana, na altura da praça da Catedral, e avançará pela Ronda Sant Pere até chegar também à praça Catalunya.

Em Girona, está prevista uma única coluna que irá da praça Pompeu Fabra até La Copa, percorrendo a avenida Jaume I. Em Amposta, haverá duas colunas: uma começará na rua Sebastià Juan Arbó e a outra o fará na avenida Santa Bàrbara com a rua Elisabets. Ambas confluirão na ponte suspensa sobre o rio Ebro.

A manifestação de Barcelona começará às 17h14, enquanto os parlamentos institucionais terão lugar às 18h15 no palco principal da praça Catalunya. Em Girona e Amposta, as marchas começarão às 16h00 e os atos centrais serão celebrados às 17h14.

As entidades também apresentaram as camisetas desta Diada, que recuperam a cor amarela, "a mais icônica da história da ANC" e protagonista das grandes manifestações de 2013 e 2014. A peça incorpora faixas vermelhas nas mangas e no colarinho, e o lema figura tanto na parte da frente quanto na traseira.

Josep Vila reivindica a unidade do independentismo

Vila colocou ênfase no caráter unitário da convocação: "Divididos nunca venceremos. Juntos seremos, e somos, muito mais fortes", ressaltou. Ele instou a encher as ruas na Diada diante do que interpreta como um processo de desnacionalização e espanholização que, em sua opinião, o Govern de Salvador Illa estaria promovendo na Catalunha.

Adicionou que o Executivo catalão se encontra subordinado aos interesses do PSOE e que, por este motivo, não enfrenta de forma adequada problemas como o estado de Rodalies, a crise da habitação, o "colapso" da saúde e da educação, as reivindicações do setor agrário, o agravamento das condições de vida ou a situação do catalão.

Questionado sobre a eventual presença de representantes da Aliança Catalana nas marchas, precisou que as entidades não se dirigem aos partidos: "Nós nos dirigimos às pessoas. Não fazemos, nem nunca fizemos, uma lista de partidos convidados, porque não convidamos nenhum, nem uma lista de partidos vetados", assinalou, insistindo ao mesmo tempo na defesa dos direitos humanos.

"Somos entidades absolutamente comprometidas com os direitos humanos. Com todos os direitos humanos. Com os das pessoas recém-chegadas ou que há anos vivem na Catalunha, também com os direitos dos povos e o direito à autodeterminação, e somos entidades absolutamente comprometidas com a democracia", ressaltou.

Antich denuncia violações de direitos e reclama um projeto compartilhado

Antich denunciou a "violação sistemática" dos direitos nacionais, linguísticos, culturais, sociais, civis e políticos da cidadania catalã, citando como exemplos a "repressão" aos líderes do 'procés', que sustenta que ainda continua, a espionagem com Pegasus e as resoluções judiciais contra o modelo educativo catalão.

Por este motivo, defendeu a necessidade da independência e de impulsionar a partir da sociedade civil um "projeto de país compartilhado que não frature nem divida e que seja capaz de somar à catalanidade e ao independentismo gente vinda de todas as partes".

As outras entidades sublinham o papel dos municípios e o déficit fiscal

Junto a Vila e Antich, interveio o presidente da AMI, Salvador Cot, que reivindicou que os municípios são a primeira linha frente aos problemas cotidianos da população. Reclamou um Govern "que pense e trabalhe para a Catalunha e que não seja um governo franquia" de Madrid, e considerou a independência uma ferramenta essencial para poder atender essas necessidades.

A vice-presidente do CdRep, Montserrat Rossell, defendeu a mobilização diante do que considera uma situação de colapso dos serviços públicos, que vinculou ao déficit fiscal. Criticou a proposta de financiamento do Govern: "Contempla um aumento de 4.700 milhões. O Estado e a Generalitat riem de nós, enquanto nós lhes enviamos a cada ano mais de 25.500 milhões".

O secretário-geral da Intersindical, Sergi Perelló, sustentou que a independência permitiria melhorar as condições de vida e de trabalho dos catalães e que, para alcançá-la, é imprescindível construir um país mais justo e livre, com menos presença da extrema direita: "Aqueles que querem criar um mundo de pessoas de primeira e de segunda, de pessoas com direitos e sem direitos, são um perigo para a humanidade e para o nosso país", advertiu.

Por último, o presidente da Ciemen, David Minoves, assegurou que o apoio à independência se mantém e até aumenta, apoiando-se em sondagens como a última do CEO: "O independentismo revive, cada vez voltamos a ser mais". Adicionou que, para essas entidades, a Diada também serve para dizer 'não' aos discursos de ódio, à extrema direita e ao fascismo.