Cada vez que se publicam os dados de preços aparece a mesma dúvida: o IPC e a inflação são a mesma coisa?
A resposta é não. Embora ambos os conceitos estejam intimamente relacionados, fazem referência a realidades distintas e convém conhecer o que significa cada um.
O que é a inflação?
A inflação é o aumento generalizado e sustentado dos preços dos bens e serviços de uma economia durante um período de tempo.
Quando existe inflação, o dinheiro perde poder de compra. Em outras palavras, com a mesma quantidade de dinheiro podem-se comprar menos produtos do que antes.
A inflação pode ser provocada por múltiplos fatores, como o aumento do custo da energia, o encarecimento das matérias-primas, uma maior demanda por produtos ou o aumento dos custos de produção.
O que é o IPC?
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) é o principal indicador que utiliza a Espanha para medir a evolução dos preços que os lares pagam por uma cesta representativa de bens e serviços.
Elabora este índice o Instituto Nacional de Estatística (INE), que atualiza periodicamente a composição dessa cesta para refletir os hábitos de consumo da população.
Entre os produtos e serviços que analisa encontram-se:
- Alimentação.
- Habitação.
- Transporte.
- Vestuário e calçado.
- Lazer e cultura.
- Comunicações.
- Saúde.
- Educação.
Então, qual é a diferença?
A diferença principal é simples:
- A inflação é o fenômeno econômico de aumento geral dos preços.
- O IPC é o indicador estatístico que serve para medir essa evolução dos preços.
Por isso é habitual ouvir que "a inflação se situa em 2%", quando na realidade esse número costuma corresponder à variação anual do IPC.
Por que é tão importante o IPC?
O IPC tem consequências diretas na economia e na vida cotidiana porque é utilizado como referência para numerosas decisões.
Entre elas destacam-se:
- A revalorização das pensões.
- Algumas revisões salariais previstas em convenções coletivas.
- A atualização de determinados contratos.
- A análise da evolução do custo de vida.
Existe uma única forma de medir a inflação?
Não. Embora o IPC seja o indicador mais conhecido, existem outros índices que também permitem analisar a evolução dos preços sob diferentes perspectivas.
Entre eles destacam o IPC subjacente, que exclui os alimentos não elaborados e os produtos energéticos por sua maior volatilidade, ou o deflator do PIB, utilizado para medir a evolução dos preços de toda a economia.
Quem decide se a inflação é demasiado alta?
Na zona euro, o organismo encarregado de manter a estabilidade de preços é o Banco Central Europeu (BCE).
Para tentar controlar a inflação, o BCE pode modificar as taxas de juros, uma medida que influencia o custo das hipotecas, os empréstimos e o acesso ao crédito.
Por isso, a evolução do IPC e da inflação é um dos principais indicadores que seguem tanto os mercados quanto os cidadãos.