A principal negociadora oposicionista reclama clareza sobre os números de excarcerados na Venezuela

Dinorah Figuera exige transparência nas cifras de excarcelados e alerta sobre discrepâncias entre os dados oficiais e os verificados por ONG.

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A chefe da delegação da oposição nas conversas com o Governo venezuelano, Dinorah Figuera, reclamou neste domingo "clareza" sobre os dados oficiais de pessoas libertadas e insistiu que, em um país que "avança em direção à transição democrática", não deveria haver presos políticos.

"É urgente clareza em relação aos números oficiais, em contraste com o verificado pelas organizações de Direitos Humanos que acompanham o processo", destacou Figuera em uma mensagem divulgada nas redes sociais, na qual também afirmou que se mantém "vigilante" e realizando "esforços" para que "as liberações ocorram".

Nessa linha, a responsável negociadora do Parlamento opositor paralelo constituído em 2015 descreveu como uma "grande demanda nacional" a libertação de "todos os presos políticos e que a mesma seja plena".

As declarações de Figuera ocorrem um dia depois de a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, elevar para 1.406 o balanço de presos políticos liberados desde a intervenção dos Estados Unidos no dia 3 de janeiro --data em que foi capturado o presidente Nicolás Maduro--, um número que coincide com o fornecido pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

É a primeira declaração pública da presidenta encarregada sobre o resultado alcançado no âmbito do projeto de lei de anistia, o denominado Programa para a Paz e a Convivência Democrática, que é divulgado após o recente anúncio da libertação de 131 pessoas que até há poucos dias permaneciam encarceradas por motivos políticos e ideológicos por parte das autoridades venezuelanas.

No entanto, a ONG Foro Penal reduziu neste domingo o dado oficial a 78 libertações comprovadas, muito abaixo das mais de 130 comunicadas pelos canais governamentais.

Uma discrepância semelhante foi apontada pelo Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela, que neste sábado alertou que "libertar nem sempre significa liberar" e assegurou que, de forma independente, só conseguiu verificar 70 libertações.

"Desde janeiro se repete o mesmo padrão: anunciam-se números que, no momento de sua divulgação, não podem ser corroborados de forma independente. Exigimos a publicação dos nomes, os documentos de libertação e a situação jurídica de cada pessoa, assim como o acesso de organizações independentes a todos os centros de detenção", denunciou o comitê em um comunicado.

Em relação à citada liberação anunciada por Miraflores, Figuera afirmou então receber "com esperança pelo reencontro das famílias venezuelanas" a "informação das excarcelacões". No entanto, pontuou que "não são todos" e chamou a continuar "exigindo sem descanso" novas excarcelacões "até que cada cidadão se reencontre com sua família".