Zelenski releva o chefe do Exército após a destituição do ministro da Defesa

Zelenski substitui o chefe do Exército ucraniano após a polêmica demissão do ministro da Defesa e reconfigura a cúpula militar em plena guerra.

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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afastou nesta terça-feira o comandante em chefe das Forças Armadas, Oleksandr Sirski, pouco depois da controvertida troca do ministro da Defesa, Mijailo Fedorov, com quem o máximo responsável militar mantinha uma relação marcada pela falta de entendimento.

Durante seu habitual discurso vespertino, o dirigente ucraniano anunciou mudanças significativas na cúpula militar. "Decidi que Mijailo Drapati se torne o novo comandante em chefe das Forças Armadas da Ucrânia. Junto com Mijailo, Yevheni Jmara (atual ministro da Defesa) e Pavlo Palisa (chefe adjunto do escritório do presidente) determinamos como atualizar a configuração do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia", indicou.

Zelenski expressou publicamente seu reconhecimento a Sirski por seu papel à frente da defesa de Kiev e por sua liderança na ofensiva sobre Járkov e nas operações em Kursk. "Todos temos o mesmo desejo de derrotar o inimigo e alcançar condições, tanto na frente quanto por meio da pressão sobre a Rússia, que obriguem a Rússia a alcançar a paz. Amanhã formalizamos todas as decisões", destacou o mandatário ao detalhar a troca na chefia militar.

A saída de Sirski se insere na crise aberta pela demissão de Mijailo Fedorov como ministro da Defesa, uma decisão que provocou protestos massivos em diferentes cidades ucranianas. Diante da magnitude do descontentamento social, Zelenski se viu obrigado a justificar a mudança, que atribuiu à falta de coesão interna e aos problemas de comunicação existentes entre Fedorov e o até então comandante em chefe.

Fedorov comunicou sua renúncia ao Executivo após ter assumido a pasta da Defesa em janeiro de 2026, em uma mensagem na qual reivindicou sua gestão em plena guerra. Lembrou as melhorias tecnológicas introduzidas nas Forças Armadas e o início da campanha de ataques de longo alcance com armamento desenvolvido na Ucrânia. Além disso, destacou ter impulsionado uma "transformação impopular, mas vital" do Exército.

Na sua despedida, o já ex-ministro lançou duras críticas a seus detratores internos. "Prefere urdir intrigas e acreditar que alguém lhe deu ordens a algum meio de comunicação, em vez de se concentrar no que realmente está acontecendo (...) Em vez de buscar a derrota da Rússia, buscou a maneira de dividir o país", disse Fedorov, que se encontrou com a oposição de parte da cúpula militar a seus planos para descentralizar e digitalizar o funcionamento das Forças Armadas.