A porta-voz do Governo, Elma Saiz, reclamou que se leve a cabo a aplicação "íntegra" da Lei de Anistia após a sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), que conclui que a norma se ajusta ao direito comunitário. Ao mesmo tempo, exigiu ao PP que " peça perdão" pelas críticas dirigidas contra esta medida.
Saiz defendeu que a decisão do TJUE despeja qualquer dúvida sobre a norma e insistiu que, tal como consta na resolução, "a lei é boa para a Catalunha, para a Espanha e para a democracia". Por isso, ressaltou que "o que resta é uma aplicação da lei integral, diligente e eficaz", segundo manifestou em uma entrevista na TVE, coletada pela Europa Press.
Questionada se o ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, deveria retornar já à Espanha, a ministra respondeu que, se a anistia for executada de forma completa e com celeridade, essa questão não teria razão de ser. Nesse sentido, considerou um "apoio" a decisão do tribunal europeu à implementação da norma.
Em qualquer caso, assinalou que está "completamente de acordo" com o ministro dos Transportes, Óscar Puente, que nesta sexta-feira incentivou Puigdemont a voltar imediatamente de Waterloo (Bélgica), onde permanece desde 2017, ao entender que seria "um gesto de liderança política". "E que me detenham e me levem à prisão", afirmou Puente em uma entrevista na RNE.
Sobre a posição do PP, a também titular de Migrações, Inclusão e Segurança Social sustentou que o líder popular, Alberto Núñez Feijóo, deveria deslocar-se à Catalunha e "pedir perdão" por ter qualificado a lei de Anistia como uma norma "nefasta" que iria provocar o "declínio econômico" e constituía "um beco sem saída".
Além disso, reprochou à oposição as "manifestações, insultos e vexações" registradas diante da sede do PSOE na rua Ferraz e dirigidas a "dirigentes" socialistas, e opinou que, após a sentença do TJUE, deveriam ocorrer "consequências" para o PP por declarações que qualificou de "irresponsáveis".
A seu entender, a estratégia de Feijóo e seu partido se baseou na "fratura, no medo e na mentira" frente à Anistia, pelo que agora considera "exigível que peçam perdão" pela campanha desencadeada contra a lei.