O secretário-geral do Junts, Jordi Turull, afirmou nesta sexta-feira que o PSOE evita abordar mudanças de grande relevância no judiciário e que sua atuação política responde, antes de tudo, aos interesses do próprio partido para continuar governando.
Em uma entrevista na TV3 recolhida pela Europa Press, assegurou que "Eles não têm um projeto para a Espanha, não têm, porque quando estão na Moncloa se sentem inquilinos, não se sentem proprietários, e não querem derrubar nenhuma parede mestra. Não são capazes de dizer, escuta, vamos reformar o poder judicial".
Ao ser perguntado sobre os procedimentos judiciais que afetam dirigentes e ex-dirigentes socialistas, Turull apontou que "talvez agora sejam mais sensíveis" no PSOE diante dos casos de suposto lawfare e de perseguição judicial que, segundo ele, sofreram os líderes do independentismo.
Aplicação da Lei de Anistia e papel do judiciário
Em relação à aplicação da Lei de Anistia após o aval emitido nesta quinta-feira pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o dirigente pós-convergente assinalou que existem magistrados, como Pablo Llarena ou Manuel Marchena, que exercem "ativismo político de toga" e chegou a comparar a cúpula judicial espanhola com as piores justiças de países que não são democráticos.
Questionado sobre se o Junts manteve contatos com o PSOE após o pronunciamento do TJUE, descartou: "Dado que não cumpriram com tantas coisas às quais haviam se comprometido, fazer certas comédias não faz sentido".
Segundo Turull, o respaldo do TJUE à anistia foi favorecido pela postura que o Junts adotou no início de 2024, quando advertiu que votaria contra a lei se não fossem reforçadas determinadas garantias, especialmente para os membros processados dos Comitês de Defesa da República (CDR).
Denunciou que se chegou à "perversão" de imputar delitos de terrorismo com o objetivo, sustenta, de deixar fora da Lei de Anistia essas pessoas.
Sobre o fato de que o ex-presidente da Generalitat e líder do Junts, Carles Puigdemont, não compareceu nesta quinta-feira após a resolução do TJUE, Turull indicou que Puigdemont "teria saído" se estivesse na Catalunha.
Relação com ERC, FLA e financiamento autonômico
Interrogado pelas declarações do presidente da ERC, Oriol Junqueras, que em uma entrevista prévia na TV3 pediu ao Junts que apoie a anulação do Fundo de Liquidez Autonômico (FLA) e o novo modelo de financiamento após a sentença do TJUE sobre a anistia, Turull pediu para não misturar pastas.
Assinalou que, no que diz respeito à anulação do FLA, o Junts permitirá que a lei siga sua tramitação e tentará melhorar seu conteúdo para que seja perdoada uma maior parte da dívida, ao mesmo tempo em que advertiu que a resolução do conflito político na Catalunha não passa por consolidar "o café para todos".