Baleares desaconselha que os menores de 6 anos olhem o eclipse solar de forma direta por sua maior sensibilidade ocular

Baleares reforça a saúde e pede para extremar a proteção ocular, sobretudo em menores, diante do eclipse solar de 12 de agosto.

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A Conselleria balear de Saúde recomendou que os menores de seis anos não observem de forma direta o eclipse solar, dado que seu sistema visual é mais delicado e resulta "complicado" que sigam de maneira estrita as indicações de segurança.

Esta diretriz faz parte das recomendações divulgadas pela Direção Geral de Saúde Pública durante a apresentação das medidas específicas que o Govern colocou em prática no âmbito sanitário em razão do fenômeno astronômico previsto para o próximo 12 de agosto, segundo detalhou a Conselleria de Saúde em um comunicado.

As autoridades sanitárias sublinharam que mesmo uma exposição muito breve pode ser suficiente para provocar "lesões irreversíveis na retina" e que os oftalmologistas insistem em ter um "cuidado especial" com os mais pequenos, já que, ao estarem "emocionados e excitados" diante do eclipse, sua pupila se dilata mais e essa maior sensibilidade em idades precoces aumenta o risco.

Por isso, recomenda-se manter as crianças em espaços dos quais não tenham acesso visual direto ao sol, e considera-se mais seguro que sigam o evento através da televisão ou outros dispositivos digitais.

A Saúde Pública reiterou, além disso, que é essencial proteger corretamente os olhos enquanto se contempla este fenômeno para evitar danos potencialmente "irreversíveis" na visão.

SAÚDE PEDE USAR ÓCULOS HOMOLOGADOS E NÃO "EXPERIMENTOS CASEIROS"

Nesse sentido, insistiram que só existe "uma maneira segura de ver o eclipse", que passa por utilizar óculos homologados com certificação ISO 12312-2. Ao mesmo tempo, avisaram à cidadania que "não faça experimentos com filtros caseiros" como cristais fumados, diapositivas veladas, radiografias usadas, óculos de sol --independentemente de seu nível de proteção ultravioleta--, filtros polarizados ou qualquer outro filtro que não se ajuste à normativa vigente.

Recordaram que o fato de que o sol não cause desconforto ou seja visto escurecido através de um filtro inadequado não implica que os olhos estejam protegidos, já que as lesões podem se manifestar entre seis e 48 horas após a exposição.

Também alertaram que não é seguro usar óculos de eclipse para olhar através de binóculos, telescópios ou outros instrumentos ópticos. Nesses casos, é imprescindível utilizar filtros específicos, porque esses dispositivos concentram a luz solar e a proteção dos óculos se torna insuficiente. A luz concentrada pode queimar o filtro e o olho receberia toda a radiação solar focalizada pelo instrumento.

Os especialistas alertam que apenas 30 segundos olhando para o sol sem a proteção adequada podem causar "lesões irreversíveis sem tratamento possível".

A lesão mais grave afetaria a mácula e ocorreria de maneira imediata após a observação direta do eclipse. Suas manifestações seriam o aparecimento de uma mancha escura central, uma visão deformada na qual os objetos são percebidos maiores ou menores do que o normal, ou mudanças na percepção das cores.

O eclipse também pode causar danos na córnea, que se tornariam evidentes entre seis e 48 horas depois. Nesse caso, os sintomas incluiriam vermelhidão ocular, desconforto, coceira, ardor, visão embaçada ou lacrimejamento persistente, semelhante à sensação de ter um corpo estranho no olho. Ao contrário da afetacão macular, essas lesões corneais costumam ter tratamento e não deixam sequelas permanentes.

48 ÓCULOS DESTRUÍDOS POR NÃO CUMPRIREM OS REQUISITOS

Paralelamente, o Departamento de Proteção e Defesa dos Consumidores está desenvolvendo uma campanha autonômica de controle da rotulagem dos óculos e da marcação CE.

As inspeções começaram em maio e continuarão até a data do eclipse. Nos casos em que foram detectados óculos não homologados, foram imobilizados ou destruídos voluntariamente, especialmente quando faltava a rotulagem ou o distintivo CE, eram comercializados em um idioma não oficial ou não constavam todos os dados do responsável pelo produto.

Até esta quarta-feira, a Saúde realizou 30 ações no âmbito desta campanha e cinco marcas de óculos foram revisadas. Como resultado, foram destruídas 48 unidades que não cumpriam os requisitos estabelecidos.

REFORÇO DE 160 PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Na apresentação dessas medidas participaram a conselheira de Saúde, Manuela García, o diretor geral do Serviço de Saúde, Javier Ureña, e a diretora geral de Saúde Pública, Elena Esteban.

A Saúde constituiu um gabinete de acompanhamento, presidido por García, que elaborou um protocolo para coordenar a atuação conjunta entre Atenção Primária, SAMU 061 e a rede hospitalar, com as adaptações organizativas necessárias.

Atenção Primária, os hospitais das ilhas e o SAMU 061 incorporarão mudanças organizativas centradas, sobretudo, no reforço de suas equipes para poder responder a possíveis incidentes que requeiram uma intervenção urgente extraordinária, especialmente no que diz respeito à assistência oftalmológica.

No conjunto, o IbSalut aumentará o dispositivo assistencial no dia do eclipse e nos dias posteriores com até 160 profissionais adicionais. A Atenção Primária destinará 40 profissionais --18 médicos, 18 enfermeiros e quatro motoristas--, dos quais 26 trabalharão em Mallorca, seis nos centros da Área de Saúde de Menorca, seis nos de Ibiza e dois em Formentera.

Os hospitais receberão um reforço aproximado de 70 profissionais: 25 médicos, 20 enfermeiros, 10 técnicos em cuidados auxiliares de enfermagem (TCAE) e 15 agentes de segurança. Por sua vez, ao SAMU 061 se somarão 50 efetivos a mais, com dez médicos, nove enfermeiros, 21 técnicos e dois telefonistas. A Central de Coordenação também será reforçada com três médicos e cinco enfermeiros.

O protocolo contempla ações não apenas para o dia 12 de agosto, mas também para os dias anteriores e posteriores, dado que as complicações sanitárias podem se prolongar no tempo.

Será implementado, além disso, um circuito de encaminhamento consensuado com os hospitais para a atenção urgente de oftalmologia naqueles casos que o requeiram, embora se preveja que boa parte das consultas possa ser resolvida na Atenção Primária e que algumas lesões apareçam de forma diferida.

A atividade programada e a que precise de transporte sanitário não urgente dos dias 11, 12 e 13 de agosto será realocada, sempre que possível, em datas anteriores ou posteriores.

Fica garantida, em todo caso, a continuidade dos processos dependentes do tempo e daquelas ações cuja demora possa colocar em risco a segurança ou o prognóstico do paciente.

Além disso, será ajustada a cobertura de oftalmologia desde a tarde do dia 12 de agosto até o dia 15, ambos incluídos. Durante este período haverá, como mínimo, um oftalmologista localizado e será reforçada a presença física do serviço em função do aumento da demanda urgente e das características de cada hospital.

Durante a jornada do eclipse, os hospitais adaptarão sua organização interna e sua atividade à evolução da pressão assistencial, mantendo ativos os protocolos de resposta a incidentes com múltiplas vítimas e outras emergências extraordinárias.

Após o 12 de agosto, as gerências hospitalares continuarão monitorando a situação, especialmente diante da possível aparição tardia de lesões oculares derivadas da observação do eclipse e enquanto persistir qualquer impacto assistencial vinculado ao evento.

Além disso, prevê-se um desdobramento especial de recursos na Praia de Palma, onde se espera uma maior concentração de pessoas. Reforçará o pessoal e os veículos em relação à operação habitual, ampliando o horário de todos os recursos diurnos do dia 12 até as 08:00 horas do dia seguinte, e serão incorporados reforços de médico, enfermeiro e teleoperador na central de coordenação.