Desenvolvem uma nanomedicina inalada de ARN para tratar o câncer de pulmão

Uma tese na IQS projeta um sistema polimérico de nanomedicina inalada de ARN para câncer de pulmão, estável e eficaz sem necessidade de cadeia de frio.

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O doutor Antoni Torres Coll apresentou na instituição universitária IQS sua tese de doutorado, centrada na criação de um inovador sistema de nanomedicina inalada para a terapia de ARN frente ao câncer de pulmão, baseado em polímeros como veículo de administração.

A pesquisa foi realizada no Grupo de Engenharia de Materiais GEMAT - NanoTher Nanotherapies Lab de IQS, sob a codireção dos doutores Cristina Fornaguera Puigvert e Salvador Borrós Gómez, e combina de forma integrada conhecimentos de química de polímeros, nanotecnologia e tecnologia farmacêutica.

Desde o IQS sublinharam que "Este avanço científico propõe uma solução para as limitações das terapias atuais baseadas em ARN (mARN e siARN)", lembrando que "embora estas tenham um grande potencial para modular a expressão gênica em doenças como o câncer de pulmão -uma das principais causas de mortalidade mundial-, sua aplicação clínica é freada pela instabilidade do ARN e pela dificuldade de que o fármaco chegue com precisão ao tecido pulmonar".

Neste contexto, a tese propõe um novo esquema de design para os polímeros de poli(B-aminoéster) (pBAEs). Para isso, Torres Coll "aplicou uma abordagem modular baseada em química 'click', que permite desacoplar a complexação do ARN da funcionalização superficial da nanopartícula". Graças a esse planejamento, "é possível ajustar com precisão propriedades como a captação celular e a especificidade para diferentes populações celulares, marcos que foram validados em modelos avançados tridimensionais de pulmão", destacaram da instituição.

O desafio da barreira mucosa no pulmão

Em relação à administração inalada, apontaram que "um dos maiores obstáculos para as terapias inalatórias é a mucosa pulmonar, que costuma prender as nanopartículas". Os resultados deste trabalho mostram "que o uso de superfícies zwitteriônicas reduz a adesão ao muco e melhora a difusão, favorecendo que a nanomedicina alcance o epitélio pulmonar de maneira eficiente", precisaram.

Da mesma forma, a IQS explicou que, em colaboração com a Ludwig-Maximilians-Universität de Munique (Alemanha), concretamente com o grupo liderado pela doutora Olivia Merkel, a tese resultou no desenvolvimento de uma forma farmacêutica na qual micropartículas atuam como suporte de nanopartículas integradas. "Através da otimização do processo de secagem por atomização ('spray-drying'), foram obtidos pós respiráveis com excelentes propriedades aerodinâmicas", indicaram.

Segundo destacaram, "Diferente dos sistemas lipídicos convencionais, este sistema polimérico se destaca por sua alta estabilidade e a preservação da funcionalidade do ARN após o processo, eliminando a dependência da cadeia de frio para seu armazenamento", o que permite concluir que a tese confirma a viabilidade dos sistemas baseados em pBAE como vetores inaláveis para terapias de ARN.