As vítimas das agressões grupais nas quais participaram menores em Huesca, junto com suas famílias, solicitaram ao Município que assuma um papel protagonista impulsionando novas medidas, com o objetivo de que a cidade continue sendo um lugar seguro e que nenhuma outra família tenha que passar por uma situação similar à que elas viveram.
Uma representação de pessoas agredidas se reuniu nesta sexta-feira no Consistório oscense com a prefeita de Huesca, Lorena Orduna, a quem entregaram um documento que inclui dez propostas que, em sua opinião, "são necessárias para melhorar a segurança da cidade, a atenção às vítimas e a prevenção de novas agressões".
Entre as iniciativas propostas, reclamam a implementação de um protocolo municipal de atenção às vítimas que ofereça informações claras sobre os passos a seguir após uma agressão, assessoria jurídica, dados sobre recursos psicológicos e sociais disponíveis e uma melhor coordenação entre os diferentes serviços públicos envolvidos.
Jara Viñuales, uma das porta-vozes do coletivo, explicou que "no momento em que uma pessoa é agredida, além dos aspectos psicológicos e físicos, fica aturdida e não sabe o que tem que fazer, os papéis que você tem que solicitar, aonde levá-los, o que vai te servir posteriormente ao denunciar o caso e no julgamento".
No documento também se reclama uma condenação institucional explícita, o reforço da presença policial, a instalação de mais câmeras de videovigilância, a melhoria da iluminação pública e a criação de uma figura ou serviço de referência que acompanhe as vítimas durante todo o processo. Além disso, propõem que o Município implemente uma mesa de trabalho para estudar a evolução dessas agressões e coordenar ações preventivas, na qual participem a Polícia, a Promotoria de Menores e representantes de centros educativos e serviços sociais. Pedem, ainda, a elaboração de um relatório periódico que registre as agressões violentas registradas na cidade, as respostas adotadas e as medidas implementadas.
Outro dos pontos propostos se concentra em que o Consistório, dentro de suas competências e diante das administrações competentes, promova a revisão dos protocolos de atuação quando os agressores forem menores de idade, reforçando a implicação direta e precoce de seus pais ou tutores legais desde o primeiro momento.
As vítimas também instam o Município a estudar a possibilidade de impulsionar iniciativas dirigidas ao Governo da Espanha e às Cortes Gerais para revisar a normativa vigente sobre a responsabilidade penal dos menores, transmitindo a inquietação que existe entre boa parte da cidadania diante deste tipo de agressões.
Neste sentido, Viñuales lembrou que "para mudar a Lei do Menor são necessárias 500.000 assinaturas e pedimos ajuda porque nos escapa das mãos".
Ele sublinhou igualmente que "lamentavelmente esses casos de agressões de menores não ocorrem apenas em Huesca, acontece no resto da Espanha também e talvez se os menores vissem que isso tem efeitos mais negativos pensariam duas vezes".
Finalmente, as pessoas agredidas incentivam qualquer vítima deste tipo de fatos a apresentar denúncia, ao considerar que é a única via para combater e frear esta chaga.