Merlin destinará 1.225 milhões a um macro centro de dados em Zaragoza com consumo zero de água

Merlin levantará em Botorrita um macro centro de dados de 1.225 milhões, sem consumo de água, com alta eficiência energética e forte impacto em emprego e tributos.

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Merlin Properties vai destinar 1.225 milhões de euros ao Campus de Centros de Dados Zaragoza-WIND, no município zaragozano de Botorrita. O complexo será pioneiro ao operar com um consumo de água nulo graças a um sistema de refrigeração modular de circuito fechado, que evita o uso de recursos hídricos e permite alcançar um Power Usage Effectiveness (PUE) de 1,15, um dos melhores índices de eficiência energética da indústria.

Este indicador, que compara a energia utilizada pelos servidores com o consumo total do imóvel, coloca a iniciativa muito abaixo da média europeia (1,46) e mundial (1,54), o que permitirá cortar o gasto energético em cerca de 75% em relação à média internacional, mesmo em cenários climáticos exigentes.

A entrada em funcionamento está prevista para 2029. Durante a fase de construção, calcula-se a criação de 5.040 empregos e, uma vez em funcionamento, de outros 520 postos de trabalho diretos, com prioridade para a contratação de profissionais da região, com o objetivo de que o impacto econômico permaneça no território.

No plano tributário, a atividade construtiva gerará uma arrecadação anual por IRPF de 17,46 milhões de euros para a comunidade autônoma, enquanto que na etapa de exploração estima-se uma contribuição de 3,07 milhões de euros por ano.

Para os cofres da Prefeitura de Botorrita, o projeto representará uma receita próxima a 900.000 euros anuais a título de IAE e IBI, o que implica praticamente duplicar seu orçamento vigente.

O Conselho de Governo de Aragão concedeu nesta quarta-feira a Declaração de Investimento de Interesse Autonômico com Interesse Geral (DIGA) ao projeto. Com esta figura, a tramitação administrativa é limitada a um máximo de um ano, após o qual as obras poderiam começar, com conclusão prevista para 2029 para sua colocação em funcionamento nesse mesmo exercício.

Características técnicas do campus

O campus será construído sobre 28,8 hectares no Polígono Industrial San Antonio e em propriedades adjacentes. Ali será construído um centro de dados de última geração com mais de 156.000 metros quadrados edificados distribuídos em dois andares.

O plano já conta com uma potência assegurada de 227,4 megawatts, respaldada pelos permissos de acesso vinculados às subestações María e Los Vientos, o que permitirá alcançar uma capacidade de computação de 144 megawatts (MW) IT. A Merlin Properties prevê, além disso, uma possível ampliação condicionada à disponibilidade de energia sobre outras 32,8 hectares adicionais, com a qual o campus poderia chegar até os 240 MW IT.

Esses detalhes foram apresentados pelo presidente do Governo de Aragão, Jorge Azcón, e o responsável pela Merlin Properties, Ismael Clemente.

Em sua coletiva de imprensa, Azcón destacou que o centro tem uma particularidade que o torna "único", baseada em sua "eficiência em energia e a sustentabilidade". Lembrou que é o primeiro centro de dados tramitado em Aragão com consumo de água zero, já que o sistema de refrigeração modular de circuito fechado suporta cargas de alta densidade sem utilizar água.

Azcón ressaltou também que, a seu ver, nenhuma outra comunidade autônoma está gerando tanto emprego vinculado à tecnologia como Aragão.

"Não é por acaso, são esses projetos de investimento tecnológico em nossa comunidade autônoma que hoje nos permitem nos orgulhar, estar orgulhosos de que um emprego tão importante, com melhores condições salariais, com muito mais perspectivas de futuro, esteja se estabelecendo em Aragão. Esse é o caminho que iniciamos há três anos e é o caminho que queremos continuar", enfatizou.

"Para sempre": compromisso da Merlin

Ismael Clemente explicou que o volume do investimento equivale a cerca de 2,5% do PIB de Aragão e, citando o humorista José Mota, ressaltou que o projeto é "para sempre" porque a Merlin Properties é uma companhia espanhola, "não uma multinacional, nem um fundo de investimento, mas uma SA, portanto, nossa vocação é construir infraestruturas para operá-las sempre".

Segundo ele, essa filosofia se reflete no padrão de construção, nos componentes que são utilizados, no custo desses elementos e no custo por megawatt, concebidos para permanecer de forma indefinida no balanço da empresa.

Clemente defendeu além do papel deste tipo de infraestruturas, lembrando que muitas vezes se fala dos centros de dados como "uma espécie de ente externo às pessoas e se ignora que o consumo dos centros de dados provém da atividade humana, de uma necessidade social que é a que motiva sua existência". A modo de exemplo, equiparou o uso do centro a "um estudante utilizando um computador ou um hospital lendo radiografias com IA".

"O centro de dados é o contrário a esses grupos que se coordenam por redes sociais quando querem fazer maldades e para poder fazê-las lhes dá suporte um centro de dados. É bastante paradoxal, não deixa de ser até comovente ver as pessoas gritarem contra os centros de dados e se coordenarem por Telegram", ironizou.

Relação com Forestalia e o projeto Búfalo

Clemente lembrou que Forestalia apresentou em seu dia em Aragão o projeto Búfalo, com três subestações, das quais duas ficaram vinculadas ao campus de dados.

A DIGA de geração renovável de Forestalia "segue em vigor e eles se ocuparão da geração elétrica renovável", esclareceu. A fase mais intensiva em capital, a construção do data center, "acho que não é nenhum segredo que teria sido difícil que eles pudessem fazer. Já antes, mas ainda mais nas novas circunstâncias" ligadas à sua situação judicial.

Detalhou que Merlin chegou a este projeto de mãos dadas com Levitec, seu fornecedor de instalações elétricas nos centros de dados que levantou na Espanha. "Chegamos muitos meses antes de que os escândalos saltassem e negociou-se com eles de boa fé e pactuaram-se preços quando ainda não existia esse tipo de pressão à qual estão submetidos hoje em dia".

Quando tocou executar a operação, "já tinha saltado isso para os jornais e simplesmente executamos isso perante notário e trouxemos para o balanço de Merlín o que era o objeto de nosso contrato, que são os direitos dos pontos de acesso e a conexão da subestação de Los Vientos e da subestação de María de Huerva", relatou.

A alimentação elétrica do campus procederá da energia renovável que "eles" --por Forestalia-- gerarem quando se construírem os parques autorizados.

Críticas ao Ministério pelo bloqueio de projetos

Em relação a outros desenvolvimentos pendentes em Aragão, Azcón afirmou que, sempre que se reúne com o Ministério para a Transição Ecológica e com sua responsável, Sara Aagesen, a resposta é sempre a mesma: "É iminente", mas denunciou que a realidade é que acumulam anos de atraso.

"É muito difícil acreditar que vão tomar as decisões que deveriam ter sido tomadas. Acho que hoje o Ministério de Transição Ecológica tem problemas importantíssimos, muitos deles têm a ver com a corrupção e isso é o que faz com que paralise muitos dos projetos pendentes", acrescentou.

"Os problemas de corrupção neste Ministério e que têm a ver com as políticas energéticas que o Governo teve, estão bloqueando a política de energia na Espanha e, portanto, em Aragão. Esse é o problema", concluiu Azcón.

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