Sindicatos da Airbus organizam em Sevilha uma grande marcha conjunta dos centros andaluzes após fracassarem as negociações

Sindicatos da Airbus convocam uma grande marcha em Sevilha com todos os centros andaluzes em plena greve e bloqueio das negociações com a empresa.

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O sindicato independente de profissionais aeronáuticos (SIPA) da Airbus, junto com ATP, CGT, UGT e ÚTIL, convocou para esta quinta-feira em Sevilha uma "grande marcha" que reunirá trabalhadores dos três centros da Airbus na Andaluzia --Cádiz, San Pablo Sevilha e Tablada Sevilha--, depois de não conseguir um acordo com a empresa no contexto da greve iniciada no dia 1 de julho.

Segundo informou à Europa Press o sindicato, a manifestação começará às 11h25 da Puerta de Jerez e terminará na Praça San Francisco, tornando-se o principal ato de protesto das últimas semanas.

Essa mobilização se insere na quarta semana consecutiva de protestos da equipe da Airbus na Espanha dentro da greve geral que começou no dia 1 de julho e que, até o momento, não encontrou uma saída negociada.

A convocação, promovida inicialmente pelo SIPA e respaldada após a pressão dos próprios trabalhadores, foi posteriormente assumida por uma maioria sindical inédita --ATP, CGT, UGT, ÚTIL--, que se "mantém firme" após a rejeição maciça em assembleia à última oferta apresentada pela direção da companhia.

O conflito tem suas raízes no bloqueio das conversas desde novembro de 2025 e na ruptura da confiança derivada das decisões unilaterais adotadas pela direção de Recursos Humanos, que tensionaram ao máximo as relações trabalhistas.

Segundo denunciam as organizações sindicais, essas medidas provocaram um "grave deterioro nos direitos sociais, no poder aquisitivo e nas condições de conciliação da equipe, em um contexto de resultados econômicos recorde para o gigante aeronáutico".

Entre as reivindicações centrais, os representantes dos trabalhadores ressaltam a perda de poder aquisitivo acumulada desde 2020, para a qual reclamam sua recuperação integral, combinando a atualização das tabelas salariais com um pagamento único pelas quantias deixadas de receber nos últimos anos, além de vincular os aumentos futuros ao IPC.

Em paralelo, exigem blindar 40% do trabalho à distância para os postos que o permitam, frente à "opacidade" e os cortes anunciados de forma unilateral pela empresa. Também denunciam as restrições na escolha das férias, que, segundo sustentam, superam as limitações previstas no Estatuto dos Trabalhadores, assim como o descumprimento do pagamento do complemento de Incapacidade Temporária (IT), para o qual reclamam o cumprimento estrito das sentenças definitivas proferidas pelos tribunais.

Além disso, os sindicatos expressaram sua preocupação pela possível segregação da área espacial fora do perímetro atual do grupo, uma operação que temem possa afetar o emprego e a carga de trabalho.

A dinâmica de protesto conseguiu aglutinar "de maneira histórica" toda a equipe, tanto pessoal de oficina quanto de escritório, em todos os centros do país --Getafe, San Pablo, Tablada, Illescas, Albacete e Cádiz--, algo que os sindicatos consideram um marco na história recente da companhia na Espanha.

O alcance da greve levou no dia 16 de julho o CEO da multinacional, Guillaume Faury, a se deslocar com urgência a Madrid, coincidindo com uma manifestação multitudinária de 4.000 empregados em Getafe, convocada para encenar o descontentamento da equipe.

Apesar desse movimento, as assembleias realizadas no dia 17 de julho rejeitaram por unanimidade o rascunho de acordo proposto pela empresa, evidenciando a distância entre as posições da direção e as demandas dos trabalhadores.

Nesse contexto, a representação das bases quis desautorizar o referendo anunciado pela única agrupação sindical minoritária que se desmarcou do movimento, questionando sua legitimidade.

Do ponto de vista jurídico, lembram que uma força minoritária com apenas 35% da representação não tem capacidade legal para convocar uma consulta vinculativa para o conjunto da equipe sem o aval do Comitê de Empresa ou da maioria sindical, pelo que consideram que tal iniciativa carece de efeitos.

A mensagem que pretende transmitir o coletivo, como sublinharam os sindicatos, é que "este movimento não é uma protesto isolado, mas a defesa firme da dignidade laboral e do futuro da Airbus na Espanha frente a uma política de cortes injustificada em uma empresa com lucros recordes.

As bases ressaltam que não aceitarão textos ambíguos nem manobras que careçam de validade legal, mantendo a mão estendida para a negociação, mas deixando claro que só apoiarão um acordo que seja justo, garantista e ratificado em assembleia para levar a referendo".

Enquanto isso, as organizações sindicais que integram a maioria alternativa continuam esta semana na mesa de negociação com a direção com o objetivo de alcançar uma "solução justa", ao mesmo tempo que finalizam a criação de um novo Comitê de Greve que forneça cobertura legal à continuidade das mobilizações além de 31 de julho.

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