Em torno de 31.000 atos de titularidade de companhias, fideicomissos e fundações registradas em Liechtenstein foram subtraídos em um ciberataque de grande envergadura perpetrado na noite da última quarta-feira no principado, segundo confirmou neste domingo o gabinete de crise dirigido pela primeira-ministra Brigitte Haas e pelo ministro da Justiça Emanuel Schaedler.
A ofensiva informática se concentrou na base de dados do Registro de Beneficiários Finais e, por enquanto, apenas foi verificada a subtração de informações, sem que até agora o Executivo tenha recebido qualquer demanda de resgate.
De acordo com as primeiras verificações, não existem sinais de alteração do restante do conteúdo nem de difusão na rede dos dados comprometidos, embora o Governo tenha antecipado que oferecerá mais detalhes em uma nova coletiva de imprensa prevista para esta próxima segunda-feira, segundo relata o jornal "Vaterland", o periódico de maior tiragem do principado.
O Registro de Beneficiários inclui os nomes e outros dados identificativos dos proprietários de empresas, fundações ou fideicomissos radicados no país e tem como finalidade, segundo as autoridades, dificultar operações de lavagem de dinheiro ou atividades de financiamento de organizações terroristas.
Liechtenstein figura entre os Estados mais prósperos do planeta em termos de PIB per capita e, com apenas 160 quilômetros quadrados de superfície, também é um dos mais reduzidos. O negócio financeiro e bancário se situa entre suas principais fontes de receita.
Durante décadas, especialmente cidadãos europeus aproveitaram fundações e contas no principado com fins de evasão fiscal. No entanto, o segredo bancário em matéria tributária foi eliminado em 2017.