Estados Unidos celebrou a destituição, à última hora da passada sexta-feira, do ex-procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, afastado do cargo por um caso de conduta sexual inadequada. Washington reiterou que manterá sua campanha para "desmantelar" o tribunal, cuja jurisdição nunca aceitou e que considera uma ameaça direta à sua soberania.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, qualificou o caso de Khan como "um exemplo paradigmático da corrupção da CPI e do abuso de sua suposta autoridade". Nesse sentido, ele destacou que "é positivo que tenha sido destituído, mas é apenas uma pequena peça nesta instituição irremediavelmente corrupta", segundo escreveu em uma mensagem divulgada nas redes sociais.
Convém lembrar que a pasta dirigida por Marco Rubio comunicou no mês passado seu projeto para suprimir o tribunal, ao entender que representa uma "ameaça intolerável para a soberania americana" por "arrogarem-se a autoridade para processar e até encarcerar militares e funcionários americanos que atuam em defesa do interesse nacional dos Estados Unidos".
Além disso, o TPI mantém em vigor uma ordem de busca e captura contra um parceiro chave de Washington, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por supostos crimes de guerra e de lesa-humanidade vinculados à ofensiva militar sobre Gaza.
Pigott, em sua mensagem celebrando a saída de Khan, sublinhou que "o resultado" do procedimento contra o ex-procurador-chefe (cujo advogado denunciou um processo sem fundamento legal, decidido a portas fechadas sem a participação de seu cliente) "não terá nenhum impacto nos planos dos Estados Unidos para desmantelar o TPI".