O secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, aproveitou sua histórica visita deste sábado à Síria para denunciar que Israel está incorrendo em "violações permanentes" da integridade territorial síria. Ao mesmo tempo, lamentou que a atual configuração do Conselho de Segurança da ONU, onde os Estados Unidos, aliado de Israel, mantêm seu direito de veto, impede o avanço em direção a uma saída para o conflito histórico nas Colinas de Golã.
Esse enclave foi tomado por Israel da Síria durante a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kipur (1973), e ficou sob anexação efetiva em 1981, um ato que continua sem o reconhecimento da comunidade internacional.
Guterres, na primeira visita de um secretário-geral da ONU à Síria desde 2009, enfatizou que a postura da organização continua sendo "muito clara" diante de "qualquer violação da integridade territorial" de qualquer Estado. Em sua opinião, as ações de Israel em território sírio têm um caráter "permanente". "As Colinas de Golã pertencem à Síria e é uma postura que as Nações Unidas defendem sem qualquer tipo de prescrição".
Diante desse cenário, o máximo responsável da ONU sublinhou que a comunidade internacional deve assumir "um papel mais proativo" diante de uma situação que considera "intolerável" e que "tem que terminar".
Guterres reconheceu que não pode resolver essa crise "estalando os dedos" e voltou seu olhar para o Conselho de Segurança. "Sejamos claros: aqui nos deparamos com uma dificuldade, porque o órgão que se supunha deveria abordar essas questões é efetivamente o Conselho de Segurança, e o Conselho de Segurança tem divisões geopolíticas que são conhecidas".
O secretário-geral acrescentou que existe um problema adicional no seio do Conselho, relacionado com sua "legitimidade", uma vez que "sua composição já não corresponde às realidades do mundo atual" e o uso do poder de veto "evitou em muitas circunstâncias as ações que seriam necessárias para garantir que o direito internacional seja respeitado".
Apesar de todos esses obstáculos, Guterres assegurou que continuará envolvido nesse assunto. "Não vamos desistir. E manteremos firmemente nossa posição e nossa firme defesa de que a comunidade internacional reconheça que o que é da Síria é da Síria, e ninguém pode tirar isso", concluiu.