As autoridades iranianas atacaram neste sábado a União Europeia, a qual acusam de "hipocrisia" quando se pronuncia sobre Direitos Humanos, depois que a Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, manifestou sua "preocupação" pela repressão no Irã.
Em uma mensagem divulgada nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, questionou o duplo padrão de Bruxelas: "Kaja Kallas fala sobre as preocupações em relação aos Direitos Humanos por parte da União Europeia em relação ao Irã. Como pode reconciliar tão facilmente um suposto compromisso com os Direitos Humanos com a entrega de apoio logístico e técnico para cometer agressões letais contra o povo iraniano?".
O representante iraniano denunciou que essas "agressões" constituem "ataques deliberados contra civis e infraestrutura nacional de vital importância" dentro do país. Além disso, sublinhou que, "tudo isso enquanto se nega a condenar até mesmo os crimes de guerra mais flagrantes, e sem oferecer uma única palavra de simpatia pelos crianças iranianos massacrados por bombas e mísseis americanos e israelenses, que foram obtidos graças ao próprio apoio logístico e técnico da UE", afirmou.
Baqaei qualificou a posição da União Europeia como uma demonstração de "banalidade do mal" e um gesto de "mais pura hipocrisia", que em sua opinião implica também uma grave "perda de credibilidade" para o bloco europeu.
Essas declarações ocorrem após a decisão da UE de impor novas sanções a seis pessoas por sua "responsabilidade em graves violações dos Direitos Humanos" no Irã. Entre os mencionados figuram cinco juízes de tribunais revolucionários e um membro destacado de um grupo de cibercrime vinculado ao regime, ao qual os Vinte e Sete acusam de ter contribuído para a perseguição de opositores políticos, ativistas e minorias religiosas.
Com este novo pacote, que responde ao endurecimento da repressão interna no Irã, a lista de sancionados sobe para 269 pessoas e 53 entidades. As medidas incluem a congelamento de bens, a proibição de entrar em território comunitário e o veto a facilitar fundos ou recursos econômicos aos afetados.