O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, reiterou neste sábado que Teerã descarta uma intervenção armada e defendeu o "diálogo" como única via para pôr fim à guerra no Iémen, em um contexto de crescente tensão pelo intercâmbio de ataques entre os rebeldes houthis e a Arábia Saudita.
"Acreditamos que não há solução militar para a questão do Iémen, no estreito de Bab al Mandeb e em outros pontos da região", declarou Araqchi em uma entrevista concedida ao jornal 'Iran Daily'.
O chefe da diplomacia iraniana também insistiu que a crise iemenita "não pode ser atribuída ao Irã" e rejeitou qualquer implicação direta de seu país: "o que acontece em Bab al Mandeb tem raízes antigas, assim como os assuntos entre o Iémen, a Arábia Saudita e outros países da região".
Suas manifestações ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpar publicamente o Irã pelos ataques dos houthis contra navios sauditas no mar Vermelho e advertir sobre possíveis represálias tanto contra a milícia iemenita quanto contra Teerã se os disparos contra embarcações no estreito de Bab el Mandeb continuarem.
O mandatário americano denunciou que os houthis intensificaram suas ofensivas contra o território saudita, o que, em sua opinião, reativou o conflito, apontando diretamente para o Irã como responsável por essa nova escalada.
Nas últimas horas, os insurgentes houthis do Iémen assumiram a autoria de dois ataques com projéteis contra cidades do sul da Arábia Saudita. Essas ações ocorreram após um bombardeio da coalizão internacional liderada por Riad contra posições do grupo na cidade portuária de Hodeida, no oeste do Iémen.