O gabinete de segurança de Israel, dirigido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, autorizou finalmente a entrada na Faixa de Gaza da Força de Estabilização Internacional, a missão de paz impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A confirmação foi anunciada pelo diretor-geral da Junta de Paz para Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, que expressou nas redes sociais seu agradecimento pelos "passos adotados por Israel para facilitar o desdobramento" deste contingente internacional no território palestino, ainda sem um calendário definido.
Segundo declarações coletadas pelo diário israelense 'Israel Hayom', o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, indicou que o Executivo israelense deixou para trás suas dúvidas iniciais como gesto de apoio à proposta liderada por Trump. "Trata-se de um plano internacional. Pode não ter sucesso, mas nós não vamos miná-lo", destacou.
O mesmo periódico avançou no mês passado que a Junta de Paz de Gaza, organismo responsável pelo processo e do qual depende esta força internacional, já havia habilitado uma "zona piloto" dentro da Faixa para iniciar sua reconstrução sob a proteção deste desdobramento.
A decisão foi contestada pelo ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben Gvir, que sublinhou os enormes obstáculos que a operação enfrenta, começando pelo fato de que o Hamás mantém intacto seu braço armado.
"Dado que o Hamás não cumpriu seu compromisso de desarmar e desmilitarizar a Faixa de Gaza, nós também não estamos obrigados pelo acordo. Oponho-me ao plano de 20 pontos desde o início. A solução em Gaza é fomentar a emigração", afirmou.
O Hamás, por sua vez, sustenta que qualquer desarmamento passa primeiro pela retirada total das forças israelenses do enclave, o fim dos ataques — mais de 1.300 palestinos morreram em bombardeios israelenses desde a entrada em vigor do último cessar-fogo em outubro do ano passado —, a chegada sem obstáculos de ajuda humanitária e a reabertura completa dos pontos de fronteira.
Embora o movimento islamista tenha admitido que uma nova força política palestina possa assumir o controle da Faixa, reclama que o faça sem ingerências externas e mostrou seu desconforto com o novo "governo de tecnocratas" que desenha a Junta de Paz sob a denominação de Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), liderado pelo economista palestino e ex-vice-ministro da Autoridade Palestina Alí Shaath.
Em um gesto de aproximação, Hamás anunciou no início do mês a dissolução de seu órgão de gestão de Gaza durante a guerra, o chamado Comitê Governamental de Emergência, como demonstração de boa vontade e exercício de "patriotismo".
Enquanto se concretizam os próximos passos, Mladenov considera que a aprovação de Israel e o desdobramento da força internacional constituem "um elemento crítico do marco acordado para a estabilização de Gaza, a aceleração da desmilitarização e a transição para esta administração provisória palestina".
O diplomata também destacou que todo o processo conta com o aval do Conselho de Segurança da ONU, plasmado em sua resolução 2803.