O Partido Liberal do Brasil proclamou oficialmente neste sábado Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, como seu candidato à Presidência nas eleições de outubro, ao final de uma convenção realizada em São Paulo que contou com a presença do presidente argentino, Javier Milei, e com a intervenção por vídeo de Michelle Bolsonaro, que pediu apoio para seu enteado após dar por encerradas semanas de tensões internas.
O ato, organizado no Mercado Pago Hall, se desenvolveu entre constantes críticas à esquerda encarnada pelo presidente Luiz Inácio 'Lula' Da Silva e contínuas referências ao ex-presidente Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar para cumprir uma condenação de 27 anos de prisão por crimes relacionados a uma tentativa de golpe de Estado. Nesse contexto, Bolsonaro apareceu de forma "virtual" por meio de um vídeo gerado com inteligência artificial para denunciar a "decisão injusta e arbitrária" de seu encarceramento.
"Sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Venham com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro como presidente", concluía o vídeo. Sobre Jair Bolsonaro pesa uma medida cautelar que limita seu uso das redes sociais, tanto de forma direta quanto através de intermediários, com o objetivo de impedir que impulse a candidatura de seu filho ou "usar expressões com carga semântica equivalente ao pedido explícito do voto que pode representar propaganda eleitoral antecipada", segundo estabeleceu o juiz do Supremo Alexandre de Moraes.
A intervenção da ex-primeira dama teve um peso especial pelos numerosos atritos que manteve com Flávio Bolsonaro nos últimos tempos. Em sua mensagem deste sábado, Michelle Bolsonaro se dirigiu de forma específica à ala feminina da formação, PL Mulher.
"Quando homens e mulheres de bem se unem para fazer o que é certo, não há maior dificuldade do que nossa coragem. Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura. Que te dê a você e sua família sabedoria, valor e força para cumprir sua missão, lealdade e verdade por nosso futuro", manifestou das telas do centro de eventos.
Por enquanto, de acordo com uma pesquisa da Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 'Lula' se posiciona na frente em todos os cenários de segundo turno contemplados. Em uma simulação de duelo direto com Flávio, o líder do Partido dos Trabalhadores alcança 48%, enquanto seu novo adversário fica com 43%. No primeiro turno, 'Lula' também figura em primeiro, com 40% das intenções de voto, o que representa uma vantagem de 8 pontos percentuais em relação ao senador, que soma 32%.
Rejeição de vistos a funcionários dos Estados Unidos
Em paralelo, o governo brasileiro confirmou neste sábado que rejeitou o visto a dois altos cargos do Departamento de Estado dos Estados Unidos que a administração Trump planejava enviar ao país para revisar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil indicou à Bloomberg que negou os vistos ao considerar que a visita poderia ser interpretada como uma ingerência no processo eleitoral, segundo explicaram dois funcionários brasileiros sob condição de anonimato.
A missão americana incluía o subsecretário de Estado Riley Barnes e Samuel Samson, subsecretário adjunto, segundo o jornal americano 'Washington Post'. O Departamento de Estado confirmou que Barnes e Samson tinham previsto deslocar-se a Brasília, mas evitou responder a questões sobre o objetivo concreto da viagem ou se a administração Trump tinha dúvidas sobre a integridade eleitoral no Brasil.