O líder de Se Acabó La Fiesta (SALF), Alvise Pérez, teve que ser retirado neste sábado da praça dos Reis de Ceuta por agentes da Polícia Nacional, depois que a concentração convocada por sua formação foi cercada por contramanifestações de moradores ceutianos de origem marroquina.
Após poucos minutos do início do ato, os agentes escoltaram Alvise até o porto da cidade autônoma diante da crescente pressão dos concentrados contra ele, que gritaram "fora" de forma insistente até que ele deixou a área e lançaram consignas como "Ceuta unida, não dividida" ou "Ceuta, Ceuta, Ceuta" entre aplausos.
Antes da hora marcada para o início do comício, prevista para as 20h00, um grupo de residentes já havia increpado Alvise em um bar da cidade autônoma, onde ele estava acompanhado pelo 'influencer' político Vito Quiles e sob custódia da Polícia Nacional. Lá, foi recebido ao grito de "perseguem os fracos" e "aproveitam a situação para semear ódio, isso é o que vocês são, ódio", além de cânticos como "eu sou espanhol, espanhol" e "não se engane, eu estou no meu país".
Outros participantes nas redondezas criticaram que o dirigente da SALF e Quiles fossem a Ceuta em plena crise migratória. "Estamos sofrendo e vocês se aproveitam da situação", manifestaram alguns deles.
Nesse contexto, um dos moradores tomou a palavra para se dirigir aos convocadores: "Se vocês são islamofóbicos aqui em Ceuta, para a puta rua. Não os queremos aqui. Sem violência, hein? Não vamos empurrar. Estou fazendo uso da minha liberdade de expressão, assim como vocês. E eu com minha liberdade de expressão digo que o senhor se vá com seu puto racismo para a puta que pariu".
Contramanifestações também contra Núcleo Nacional
Uma situação muito semelhante foi vivida com Núcleo Nacional, que igualmente havia chamado a se concentrar neste sábado na praça dos Reis. Cerca de uma dezena de membros dessa formação tiveram que ser escoltados pela Polícia Nacional até o porto de Ceuta, após as protestos de cidadãos ceutianos de origem marroquina, que entoaram lemas como "que eles vão embora" ou "é nossa cidade também".
Os agentes solicitaram repetidamente aos contramanifestantes que se afastassem, mas estes se negaram e permaneceram na zona até que ocorreu a evacuação dos integrantes de Núcleo Nacional, celebrada com cânticos de "oe, oe, oe". O trajeto até o porto se desenvolveu acompanhado por uma caravana de motocicletas e vizinhos que fizeram soar suas buzinas durante todo o percurso.
Um dos manifestantes de origem marroquina, Mohamed, de 27 anos e residente em Ceuta, explicou à Europa Press que "há gente boa e gente má" e que "também" eles "não querem todos", já que "também há criminosos". "É preciso se comportar bem", acrescentou, ao mesmo tempo em que sustentou que os membros de grupos como Núcleo Nacional "têm que ir" da cidade.