O presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo, assinalou esta quinta-feira ao chefe do Executivo, Pedro Sánchez, como o "senhor X" da corrupção e situou a Moncloa como "epicentro" deste emaranhado. Assegurou que "se saberá tudo" graças a uma Justiça que, segundo ressaltou, atua com "independência" e acabará julgando todos os casos que afetam ao presidente do Governo e ao PSOE.
Em uma coletiva de imprensa na sede de 'Génova' para fazer um balanço do curso político, Feijóo defendeu que "há uma relação de causa-efeito entre a chegada de Sánchez ao Governo e que a corrupção o invadisse tudo ao seu redor".
"Para encontrar a zona zero da maior corrupção da nossa democracia não é preciso ir nem às Canárias, nem a Navarra, nem a Valência. A zona zero está na Moncloa. O senhor X é o próprio Sánchez e sua ausência total de padrões morais", enfatizou o dirigente do PP.
Após qualificar Sánchez como "nexo político corruptor", advertiu ao presidente de que a passagem do tempo "não jogará a seu favor", mas "a favor da Espanha", que, em sua opinião, "merece e terá a verdade" porque "a Justiça continuará fazendo seu trabalho com liberdade e independência".
TODOS NO BANCO DOS RÉUS
"Veremos as outras causas de (José Luis) Ábalos, o desenvolvimento das de Santos Cerdán, o que há na causa de hidrocarbonetos; veremos a secretária e as filhas de Zapatero em um tribunal e a mulher de Sánchez no banco dos réus diante de um júri", augurou Feijóo. A seguir, acrescentou que também se esclarecerá "se há financiamento ilegal", "onde chegam as tramas de corrupção internacional" e talvez "a origem" das joias de Zapatero.
O líder do PP admitiu que o "entristece especialmente" e lhe provoca "um enorme constrangimento" que um ex-presidente do Governo "resulta ser, presumivelmente, um comissionista e um fraudador fiscal". Reprochou-lhe, além disso, que, além de "mentir" na comissão de investigação do Senado, o que lembrou que é crime, tenha estado anos enganando a cidadania.
"Passou anos dando lições de altruísmo e de paz, e resulta que tudo era uma questão de negócios, negócios até com ditaduras", criticou Feijóo, para quem, com tudo, o "mais lamentável" não é que Zapatero fosse "colaborador necessário para o resgate de Plus Ultra", mas que "sem o Governo de Sánchez Zapatero não teria podido delinquir".
DESDE LOGO QUE APOIARAM ZAPATERO
Neste contexto, sublinhou que as manifestações de vários ministros defendendo que Zapatero conta com "todo o seu apoio" adquirem agora "uma dimensão superior". "Zapatero nunca teria podido influenciar sem um Governo capaz de converter suas gestões em decisões. Efectivamente, lhe deram todo o seu apoio", deslizou.
Apesar das reiteradas perguntas dos jornalistas, Feijóo recusou-se a avançar se o PP, que exerce a acusação popular na causa, solicitará medidas cautelares contra o ex-presidente, remetendo-se ao que seu partido plante "perante o juiz".
Na sua opinião, "está claro" que "Sánchez está nas mãos de Zapatero", que o ex-presidente "está nas mãos" de seu sócio em Análise Relevante Julio Martínez e que "todo o sanchismo depende de quem começa a cantar". Insistiu que existe uma "dupla corrupção": a do comissionista e a de quem facilita o recebimento dessas comissões. "Sem o resgate de Sánchez, Zapatero não teria podido cobrar propinas, nem teria podido delinquir", remachou.
Feijóo sustentou que a "corrupção se tornou sistêmica" e penetrou no "coração do Estado", lembrando que o resgate da Plus Ultra foi aprovado no Conselho de Ministros. Citou também a Agência Tributária, o Ministério da Fazenda, Interior, a Direção Geral da Guarda Civil, Defesa e Exteriores como instituições salpicadas pelas decisões do Executivo.
Indicou que tem sua "própria opinião sobre o papel de Sánchez em tudo isso", mas pontuou que "não importa se ocorreu com sua ignorância ou com sua participação ativa ou passiva", porque, em qualquer caso, "a responsabilidade política da maior corrupção da nossa democracia é sua". Em outro momento de sua comparecência, resumiu: "Tudo é cloaca".
PROMETE UMA LIMPEZA A FUNDO
"Da mesma forma, sei que a responsabilidade de garantir que a Espanha não volte a passar por isso nos corresponde a nós, ao PP. E não vamos falhar. Para que a decência volte à Moncloa, primeiro Sánchez tem que sair de lá. E depois começará a reconstrução institucional do nosso país. Não será uma troca, será uma limpeza a fundo", prometeu.
Nesta linha, reiterou que "se conhecerá a verdade, se exigirão todas as responsabilidades, se reparará tudo o que se puder e se colocarão todas as garantias para que a Espanha não volte a sofrer nunca um governo como este", porque, segundo disse, "a reconstrução institucional não consiste apenas em expulsar os corrompidos das instituições", mas em "impedir que ninguém possa voltar a corrompê-las".
"Quando cheira em um edifício por todas as janelas, não é um problema de um quarto, é um problema da totalidade do imóvel", exemplificou, avançando que a primeira medida do PP será "colocar ministros decentes".
Interrogado sobre se prevê que o PSOE e Sánchez terminem imputados, Feijóo respondeu que desconhece, embora tenha sublinhado que "nos inquéritos" e nos relatórios da Polícia e da Guarda Civil "há considerações, fatos e dados" que deverão ser avaliados por juízes e tribunais.