O PP atribui a crise migratória em Ceuta à regularização do Governo: "A ninguém pode surpreender"

O PP vincula a crise migratória de Ceuta com a regularização do Governo e exige mais meios e instrumentos excepcionais para frear a situação.

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O secretário-geral do Partido Popular, Miguel Tellado, relacionou a crise migratória registrada nesta quinta-feira em Ceuta —marcada pela entrada de milhares de pessoas que superaram a cerca fronteiriça para acessar território espanhol— com a regularização de imigrantes aprovada pelo Governo no mês passado de abril.

"A ninguém pode surpreender que milhares de pessoas queiram entrar em um país que regulariza mais de um milhão de imigrantes irregulares de um dia para o outro", destacou o dirigente 'popular' em uma publicação divulgada esta tarde no 'X' e recolhida pela Europa Press.

Tellado sustenta que os recém-chegados o fazem "com a expectativa de que Pedro Sánchez os converta mais cedo ou mais tarde em cidadãos espanhóis", e reprova ao Executivo que esteja lançando a mensagem de que "os que vierem" obterão a nacionalidade "em breve". Nessa linha, fez diretamente responsável ao Governo pelo "que acontece em Ceuta" e acrescentou: "Um motivo a mais para mandá-lo embora o quanto antes".

Em paralelo, a vice-secretária de Regeneração Institucional do PP, Cuca Gamarra, alertou que a situação na cidade autônoma "coloca em xeque a integridade territorial" e criticou a "passividade total" do presidente do Governo, Pedro Sánchez.

Gamarra ressaltou que "Moncloa ignora os pedidos de auxílio e reforços de TODOS (também do PSOE)" enquanto "dezenas de milhares de imigrantes sobre Ceuta e continuam cruzando" a fronteira. "E o Governo?", questiona no 'X': "Não há".

Do âmbito europeu, o Partido Popular Europeu apelou à Comissão Europeia para reclamar que se exijam "responsabilidades a Sánchez" por "não proteger a fronteira externa" e "impedir os cruzamentos ilegais", assim como por não "garantir o retorno imediato de quem não tem direito a permanecer no país e não aplicar plenamente as normas migratórias da UE".

Em outra mensagem nas redes sociais, o PPE sublinhou que "a Europa não pode continuar pagando as consequências da inação" do Governo da Espanha.

O PP pede mais meios e medidas extraordinárias em Ceuta

Diante dessa conjuntura, o PP reclamou ao Executivo um "desdobramento massivo de meios" frente à "avalanche sem precedentes" que enfrenta Ceuta, com o objetivo de que a população ceutiana perceba que "o resto da Espanha está com eles". Em sua opinião, "isso passa por uma presença e resposta muito mais firme e contundente do que estamos vendo".

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, os 'populares' isentaram de culpa os "poucos dezenas de agentes" das Forças e Corpos de Segurança ou do Exército presentes na zona, e sublinharam a necessidade de reforçar os recursos humanos e materiais: "É o que faria um Governo responsável para deter as entradas, organizar as devoluções e lançar uma mensagem clara: Isto não pode voltar a acontecer".

O partido também sustenta que "a versão" do Governo sobre uma "rápida solução", "está sendo desmentida pela realidade". "Dezenas de milhares de pessoas continuam chegando. Está sendo visto por toda a Europa. Está sendo visto por todo o mundo", indica o texto.

Neste contexto, o PP considera que "chegou o momento" de recorrer aos "instrumentos excepcionais" previstos na ordenação jurídica para "responder a situações excepcionais". Em primeiro lugar, propõe declarar Ceuta como "situação de interesse para a Segurança Nacional" e não fechar a porta a "nenhum outro mecanismo".

Por último, insta o Governo a agir com rapidez e evitar uma "reação tardia", alertando que os comércios da cidade "estão fechando" por "medo"; e denuncia a "imagem de decadência" que, a seu ver, está projetando a Espanha nas últimas horas. "Não podemos resignar-nos a que decisões irresponsáveis, como tem sido a política migratória, derivem em uma crise de tal magnitude".

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