O caso do ático adquirido pelo Governo de Isabel Díaz Ayuso começou a gerar preocupação dentro do PP de Madrid pelo desgaste que está provocando na presidenta regional. A polêmica pela compra de um imóvel de luxo em Chamberí por parte da empresa pública Planifica Madrid permanece aberta e passou de ser um assunto de gestão a se tornar um problema político para o Executivo madrilenho.
A inquietação ocorre após várias semanas de controversia em torno da operação e de explicações cambiantes sobre o destino do imóvel. A direção nacional do PP manteve publicamente o apoio a Ayuso, embora no partido tenham aparecido sinais de desconcerto sobre como a crise foi gerida.
O PP teme o desgaste de Ayuso
A polêmica chega em um momento especialmente delicado para o PP madrilenho. A operação imobiliária obrigou o Governo regional a responder a perguntas sobre o preço do imóvel, sua utilização e as circunstâncias que cercaram sua aquisição, enquanto a oposição mantém a pressão política sobre a presidenta.
A preocupação interna não se limita ao custo reputacional da operação. Segundo a informação publicada nesta segunda-feira por El País, alguns dirigentes populares admitem que o partido se havia confiado e que a situação pode ter consequências políticas se o desgaste continuar. A inquietação se estende à estratégia do PP diante do próximo ciclo eleitoral madrilenho.
Uma compra cercada de perguntas
O Governo madrilenho adquiriu o imóvel através de Planifica Madrid por uma quantia que as informações publicadas situam em 6,3 milhões de euros, uma operação que inicialmente foi justificada como a aquisição de um espaço temporário para a presidenta durante as obras da Real Casa de Correos. Posteriormente, o Executivo regional anunciou que colocaria o imóvel à venda.
A operação também ficou sob escrutínio judicial. Várias denúncias colocaram o foco na atuação de Planifica Madrid e nas circunstâncias da compra, enquanto Ayuso defendeu que o imóvel não era uma residência destinada a ela e reclamou que as explicações sobre a operação corresponderiam à Consejería de Presidência.
Génova mantém o apoio a Ayuso
A direção nacional do PP evitou transformar publicamente a polêmica em um confronto com a presidenta madrilenha. Gênova se remeteu às explicações oferecidas pelo Governo regional e mantém seu apoio a Ayuso apesar do barulho interno gerado pela operação.
O problema para o partido é que o caso coincide com outras frentes abertas para a presidenta madrilenha e ameaça prolongar uma polêmica que o PP queria deixar para trás durante o verão. A questão já não é apenas como explicar a compra do ático, mas quanto pode afetar o caso a imagem política de Ayuso se permanecer na agenda durante os próximos meses.