A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, através da Direção Geral de Produção Agroalimentar e Cooperativas, enviou esta semana as resoluções da última convocatória de ajudas Vinatï, na qual foram autorizados 49 projetos que contarão com um financiamento público superior a 12,8 milhões de euros.
"Com esta ajuda vamos impulsionar um investimento total de 38,3 milhões de euros com os quais continuaremos melhorando o rendimento global das empresas do setor vitivinícola, sua adaptação às demandas do mercado e ao aumento de sua competitividade", conforme anunciou o conselheiro de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Julián Martínez Lizán, segundo informou a Junta em nota de imprensa.
Desde 2015, o Executivo regional deu luz verde a 494 projetos Vinatï que geraram um investimento de 473,6 milhões de euros, respaldado com 161,9 milhões de euros de fundos públicos dirigidos à modernização de adegas e cooperativas vitivinícolas de Castilla-La Mancha.
O conselheiro detalhou esses números em Bodegas Símbolo, em Campo de Criptana, onde verificou no terreno uma atuação realizada por esta cooperativa com cargo ao programa Vinatï 2025. Esta intervenção supôs um investimento de 442.000 euros, dos quais 209.500 euros procedem de uma ajuda concedida pelo Governo regional. Na visita estiveram presentes o prefeito, Santiago López, e a presidente da adega, María José Pérez.
Desde 2023, esta cooperativa desenvolveu três projetos Vinatï que mobilizaram 1,75 milhões de euros em investimento, com 862.000 euros de apoio público, "impulsionando a modernização da adega e a elaboração de vinhos com maior valor agregado e demonstrando, como faz Bodegas Símbolo, que investir em nossas cooperativas é investir no futuro do setor vitivinícola", segundo Julián Martínez Lizán.
Eixo de coesão rural e liderança feminina
Julián Martínez Lizán sublinhou que Bodegas Símbolo representa o papel chave do cooperativismo no desenvolvimento econômico e social do meio rural. Com mais de sete décadas de trajetória, a cooperativa se consolidou como uma adega de referência graças à sua aposta pela modernização, inovação, sustentabilidade e melhoria constante de sua competitividade.
O titular da Agricultura também valorizou a implicação da entidade com seus cerca de 400 sócios, a quem oferece numerosos serviços agrários e de fornecimento, assim como a liderança de sua presidenta, a quem destacou como expoente do crescente peso das mulheres na gestão e renovação do setor agroalimentar.
Bodegas Símbolo produz uma ampla variedade de vinhos acolhidos à DOP La Mancha, elaborados com algumas das castas mais emblemáticas da região, como Airén, Tempranillo, Chardonnay e Petit Verdot, combinando tradição e inovação para obter produtos de qualidade. Além disso, está autorizada a utilizar a marca Campo e Alma nos vinhos amparados por esta denominação de origem.
"Cooperativas como Bodegas Símbolo e figuras de qualidade como a DOP La Mancha situam-se dentro de uma das zonas produtoras de maior prestígio e dimensão da Europa e demonstram que unir a tradição, a inovação e o trabalho conjunto são a melhor garantia para gerar riqueza, fixar população e continuar projetando o prestígio dos vinhos de Castilla-La Mancha", finalizou o conselheiro.
Medidas para afetados pelos incêndios
No que diz respeito aos danos sofridos por agricultores e pecuaristas devido aos diferentes incêndios, o conselheiro indicou que a Consejería de Agricultura colabora com a de Desenvolvimento Sustentável para delimitar com precisão todo o perímetro afetado.
Nesse contexto, assegurou que os profissionais prejudicados "não vão ter nenhum tipo de problema para poder cobrar em primeiro lugar o adiantamento da PAC deste ano".
Além disso, adiantou que o departamento está trabalhando para que, por causa de força maior, não seja obrigatório cumprir os requisitos estabelecidos tanto em medidas agroambientais como em ecorregimes.
"Por essa causa de força maior, vamos garantir que todos os nossos agricultores e pecuaristas possam cobrar as ajudas que lhes correspondem da PAC. Não só no incêndio de La Mierla, mas em todos aqueles incêndios que ocorreram em todo o território regional que superaram as 100 hectares de área queimada", disse o conselheiro.
"Acho que somos sensíveis e consequentes com o fato de que os agricultores e pecuaristas não iam poder aplicar as normas que lhes estabelecem as ajudas às quais optaram e por isso queremos oferecer-lhes essa possibilidade, para que não tenham nenhuma repercussão econômica no recebimento das subsídios da PAC", disse a respeito.
Antecipação da colheita e qualidade do vinho
Em relação à antecipação da campanha de colheita, Julián Martínez Lizán apontou que está diretamente vinculada às mudanças climáticas, que provocam que "no final de julho já estão sendo elaboradas algumas variedades de uva", uma "consequência claríssima" das altas temperaturas prolongadas. Esta situação também repercute nas produções, como já ocorreu no ano passado, quando foi registrada uma diminuição da colheita.
No entanto, ele destacou que, frente a este cenário, "todos os processos de transformação desempenham um papel fundamental para que, mesmo nessas datas, dispondo de frio nos tanques, ainda possam ser mantidas produções de vinho de uma qualidade excepcional que poderão ser oferecidas aos consumidores com as garantias de que se faz um bom vinho com todas as premissas que deve ter".
Reconhecimento ao trabalho dos agricultores
Segundo informa o Consistório de Campo de Criptana, a presidenta da cooperativa, María José Pérez, agradeceu o apoio institucional e ressaltou que essas linhas de ajuda permitiram realizar investimentos que, de outra forma, seriam inviáveis para muitas indústrias vinícolas.
Ela também destacou o esforço dos viticultores em uma campanha marcada pela colheita mais precoce registrada na região, que começou em 24 de julho com uvas de excelente qualidade.