Ayuso cifra em 20.000 hectares o perímetro do incêndio e adverte de "situações muito piores"

A presidenta da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, assegurou que os incêndios de Madrid e Ávila se comportam já como "um só" e situou em cerca de 20.000 hectares o perímetro aproximado afetado, embora tenha precisado que a cifra deverá ser revista quando puderem ser avaliadas as zonas interiores.

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A presidenta da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, descreveu neste sábado uma situação de extrema gravidade no incêndio que afeta o sudoeste da região e a província de Ávila, ao assegurar que os diferentes focos se uniram na prática e se comportam já como "um só".

Ayuso explicou que o incêndio gerou uma dinâmica própria entre as frentes de Madrid e Ávila, até o ponto de criar "uma espécie de própria atmosfera" que altera as condições meteorológicas habituais e complica a previsão das próximas horas. "Nos leva a temer situações muito piores nas próximas horas", advertiu de Cenicientos, onde também foi evacuado o Posto de Comando.

Um perímetro aproximado de 20.000 hectares

A presidenta madrilena cifrou em umas 20.000 hectares o perímetro aproximado do incêndio, embora tenha matizado que ainda não se trata de um número definitivo porque será necessário descartar zonas internas que não puderam ser avaliadas com precisão.

Esse dado reflete a magnitude do fogo, mas também a complexidade de medir uma emergência em plena evolução. Em grandes incêndios, o perímetro afetado pode incluir áreas não queimadas dentro da zona envolvente, por isso a superfície final queimada deverá ser confirmada quando os técnicos puderem acessar com segurança e completar a avaliação em campo.

"Uma situação totalmente inédita, nunca vista"

Ayuso qualificou a emergência como uma "situação totalmente inédita, nunca vista", tanto pela dimensão territorial do incêndio quanto pelo seu comportamento. A presidenta insistiu que as frentes adquiriram uma dinâmica extraordinária, com uma interação entre fogo, fumaça, vento e calor que dificulta o trabalho dos meios de extinção e eleva o risco para os municípios próximos.

A gravidade não se mede apenas em hectares. Ayuso destacou o número de habitações afetadas, os terrenos danificados e a pressão sobre as vias de comunicação, fatores que tornam esta emergência um dos episódios florestais mais graves enfrentados pela Comunidade de Madrid.

Evacuado o Posto de Comando em Cenicientos

A evolução do incêndio obrigou a evacuar também o Posto de Comando instalado em Cenicientos, uma decisão que reflete até que ponto o avanço do fogo e as condições do entorno comprometeram até mesmo o local de onde se coordenavam os trabalhos de emergência.

A transferência do posto de coordenação permite manter a segurança das equipes responsáveis por dirigir a operação e garante a continuidade das comunicações, da tomada de decisões e da distribuição de meios. Em uma emergência dessa magnitude, proteger o centro de comando é essencial para continuar organizando evacuações, cortes de estrada, meios aéreos, bombeiros, UME, Guarda Civil, Proteção Civil e serviços de saúde.

Ayuso pede para não se aproximar da zona

A presidenta madrilena pediu à cidadania que não se aproxime da zona afetada pelo incêndio, porque "as poucas vias que existem" devem permanecer desobstruídas para os serviços de emergência e para as evacuações que possam ser necessárias durante as próximas horas.

A mensagem busca evitar deslocamentos de curiosos, familiares que tentem acessar por conta própria ou vizinhos que queiram retornar antes do tempo para residências evacuadas. Cada veículo não autorizado pode dificultar a circulação de caminhões de bombeiros, ambulâncias, patrulhas, maquinário pesado ou comboios de saída, especialmente em um território com estradas limitadas e visibilidade reduzida pela fumaça.

"Compreensão e paciência" diante de uma emergência mutável

Ayuso também transmitiu uma mensagem de agradecimento à população afetada pela emergência e pediu "compreensão e paciência" enquanto continuam os trabalhos de extinção e proteção dos municípios.

A presidenta assegurou que essa colaboração cidadã está sendo fundamental para superar uma situação extremamente difícil, marcada por evacuações, confinamentos, cortes de estrada e mudanças constantes na evolução do incêndio. A prioridade, insistiu, continua sendo proteger vidas e evitar que a emergência cause danos pessoais.

As próximas horas, atentas ao comportamento do fogo

A advertência de Ayuso coloca as próximas horas como um momento crítico para a evolução do incêndio, especialmente pela possibilidade de que essa atmosfera gerada pelo próprio fogo altere as condições de vento e complique o trabalho das equipes no terreno.

Os serviços de emergência mantêm a vigilância sobre municípios, estradas e residências isoladas, enquanto tentam conter um incêndio que, segundo a presidenta madrilena, já não pode ser analisado como vários focos separados, mas sim como um grande sistema de fogo com comportamento próprio.

A recomendação oficial continua sendo clara: não se aproximar da zona, seguir as instruções do 112, Proteção Civil, Guarda Civil, DGT, prefeituras e Comunidade de Madrid, e não retornar a nenhuma área evacuada até receber autorização expressa.

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