Vivas calcula entre 25 e 30 os processos de asilo diários que tramita a Polícia em Ceuta

Juan Vivas alerta que o ritmo atual de asilo colapsará Ceuta durante um ano e exige ao Governo uma resposta urgente e mais meios na fronteira.

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O presidente de Ceuta, Juan Vivas, explicou esta quinta-feira que o volume de processos de asilo que está gerindo a Polícia Nacional desde a entrada massiva situa-se "entre 25 e 30 por dia". "A este ritmo não sairiam de Ceuta as pessoas que chegaram pelo menos em um ano", advertiu o dirigente do PP.

"Ceuta não pode aguentar um ano nesta situação", sublinhou durante sua comparecência no Palácio Autonômico, na qual esteve acompanhado pelo presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno.

O líder do Executivo ceutiano exigiu ao Governo central uma "resposta imediata" para agilizar a transferência dos migrantes que continuam na cidade após a entrada massiva dos dias 30 e 31 de julho. Em sua opinião, o Estado tem que colocar em jogo "quantas capacidades e meios forem necessários" com o fim de recuperar a normalidade o quanto antes.

Vivas reiterou que a prioridade é o retorno ao Marrocos de quem entrou em Ceuta nessas datas, um episódio que voltou a descrever como "massivo, organizado e ilegal". "O retorno à normalidade tem que ser o retorno ao Marrocos de todas as pessoas que vulneraram nossa integridade territorial", defendeu.

O presidente ceutiano criticou a atuação do Executivo central tanto durante a crise migratória quanto em sua gestão posterior. "O Governo da nação não esteve à altura. Não esteve quando ocorreu a vulneração de nossa integridade territorial e não está agora quando requeremos de uma maneira urgente e inadiável o retorno à normalidade", manifestou.

Insistiu que a cidade vive uma conjuntura "limite, absolutamente insustentável e de alto risco" para a segurança cidadã, a saúde pública, o funcionamento dos serviços básicos, a convivência e a própria segurança nacional.

Vivas ressaltou que a proteção da fronteira não pode ficar condicionada à atuação de Marrocos. "A segurança de nossa fronteira não pode nem deve estar encomendada ao país vizinho", assinalou, alertando novamente que Rabat é "um vizinho que não é confiável".

Durante sua intervenção, o presidente autonômico afirmou que Ceuta se sente "abandonada" pelo Governo central, embora tenha valorizado a reação da população. "Ceuta se mantém de pé e não está disposta a se render graças fundamentalmente aos ceutianos", indicou, destacando a atitude da cidadania diante da crise.

A pesar de suas reprovações, Vivas expressou sua esperança de que o Executivo central "reconsidere" e ative os recursos necessários para reforçar o controle fronteiriço, aumentar os efetivos das forças de segurança, apoiar o sistema de saúde e implementar medidas econômicas que mitigam o impacto da crise migratória.

O apoio da Andaluzia

Juan Vivas reconheceu o apoio mostrado pela Junta de Andaluzia e por seu presidente, Juanma Moreno, a quem apresentou como um parceiro permanente da cidade. "O presidente da Andaluzia veio hoje, mas não deixou de estar em Ceuta nem um minuto desde a invasão", destacou.

Ambas as administrações colaboram em diferentes iniciativas econômicas, culturais e sociais para favorecer a recuperação da cidade após a crise. Entre as ações, Vivas mencionou a promoção turística de Ceuta no mercado andaluz, o fomento do turismo social para idosos, o apoio à conexão marítima com Málaga, a organização de atividades culturais andaluzas na cidade e a realização de encontros empresariais para atrair investimentos.

O presidente ceutí também transmitiu a solidariedade da população de Ceuta com a província de Granada pelos terremotos registrados nos últimos dias e agradeceu a Moreno por sua visita em um momento que descreveu como "o golpe mais duro de toda a sua história recente".

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