Enagás situa a resolução definitiva sobre o GSP no início de 2027 e aposta no diálogo com o novo Governo do Peru

Enagás espera o veredicto definitivo sobre o GSP no início de 2027 e prepara um novo plano estratégico enquanto reforça o diálogo com o Governo do Peru.

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Enagás calcula que a resolução definitiva do recurso apresentado pelo Peru no arbitragem sobre o falido Gasoduto Sul Peruano (GSP) chegará no primeiro trimestre de 2027, embora a companhia mantenha sua confiança em poder abrir uma nova fase de entendimento com o próximo Executivo peruano.

Durante uma conferência com analistas para comentar as contas do primeiro semestre, o conselheiro delegado da Enagás, Arturo Gonzalo, lembrou que as audiências do recurso de anulação contra o laudo do GSP ocorreram nos passados 20 de junho e 1 de julho diante do comitê "ad hoc" do CIADI, pelo que se espera uma decisão final para o começo do ano que vem.

O laudo do GSP estabelece que o Governo do Peru deverá pagar à Enagás um total de 303 milhões de dólares (cerca de 266 milhões de euros), de acordo com as decisões do CIADI publicadas em 20 de dezembro de 2024 e sua posterior retificação de 23 de maio de 2025.

Em paralelo, Gonzalo apontou que o laudo correspondente à Transportadora de Gás do Peru (TGP) "se espera que seja proferido durante o próximo mês de setembro", de acordo com a última notificação recebida do tribunal arbitral.

O executivo insistiu, no entanto, na "plena disposição ao diálogo" da Enagás com a nova Administração peruana de Keiko Fujimori, cuja posse está prevista para 28 de julho, com o objetivo de avançar em direção a uma solução acordada sobre a posição da empresa no país andino.

"O lógico, o prudente, o respeitoso é esperar que ocorra essa posse para, desde logo, imediatamente a seguir, felicitar a presidenta Fujimori e nos colocarmos à sua disposição para tentar estabelecer um marco de diálogo", disse.

Nesta linha, expressou sua confiança de que com o novo Governo peruano "se possa gerar um marco de diálogo mais construtivo e mais frutífero para as duas partes do que com a administração anterior".

No que diz respeito à estratégia no Peru, o máximo executivo da Enagás ressaltou que a empresa não prevê desinvestir na TGP enquanto os processos arbitrais estiverem em curso. "Nossa prioridade é resolver os litígios que mantemos com o Governo peruano e, enquanto isso for assim, não temos uma expectativa de desinvestimento neste ativo", afirmou.

Ao mesmo tempo, admitiu que, no horizonte de longo prazo, a TGP não se considera um ativo central dentro do portfólio do grupo. "Quando isso ocorrer, nos plantearemos opções, sabendo que, a longo prazo, a TGP não é um ativo estratégico para a companhia", acrescentou.

Em qualquer caso, matizou que uma eventual saída só se produziria no momento mais conveniente e uma vez resolvidas as controvérsias pendentes. "Nunca antes de que tenhamos podido resolver esses litígios que mantemos com o Governo do Peru", acrescentou.

Quanto a possíveis operações de crescimento inorgânico, após as recentes compras na francesa Teréga e a aquisição à Osaka Gas de sua participação de 20% no capital da planta de regaseificação de Saggas, em Sagunto (Valência), Gonzalo descartou novas operações no curto prazo, embora deixou claro que o grupo continuará examinando oportunidades alinhadas com sua folha de rota.

"Nós não temos nenhuma outra compra prevista no próximo período, mas não deixamos de analisar as oportunidades que se apresentam", disse.

Subrayou, além disso, que qualquer investimento potencial deverá estar centrado em ativos regulados na Espanha e na Europa e contribuir tanto para reforçar a segurança de suprimento quanto para a descarbonização. Também precisou que não poderão colocar em risco nem o programa de investimentos em hidrogênio nem a política de dividendos. "Se analisássemos alguma oportunidade, seria sem comprometer a política de dividendos ou o programa de 'capex' da companhia", assegurou.

NOVO PLANO ESTRATÉGICO NO PRIMEIRO SEMESTRE

Em paralelo, e à vista do avanço do calendário do novo marco regulatório para o período 2027-2032 do sistema gasista, depois que a Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) tenha publicado as propostas de circulares revisadas após a consulta pública e as tenha remetido ao Conselho de Estado, Gonzalo adiantou que a Enagás prevê apresentar um novo plano estratégico no primeiro semestre do próximo ano.

O conselheiro delegado valorizou que a proposta de marco regulatório é "sólida tecnicamente, com parâmetros mais comparáveis aos de homólogos europeus e alinhada com as orientações de política energética do Governo", embora pontuou que a Enagás se apresentou como parte interessada na tramitação perante o Conselho de Estado, ao considerar que há aspectos levantados pela companhia no período de alegações "que não foram levados em conta e que são relevantes".

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