Espanha lançará em setembro sua candidatura para acolher uma das gigafábricas europeias de IA

Espanha prepara sua candidatura desde setembro para acolher uma das sete gigafábricas europeias de IA, com um investimento mobilizado de cerca de 5.000 milhões.

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O consórcio público-privado espanhol, no qual participam o Governo central, a Generalitat da Catalunha, Banco Santander, ACS, Telefónica e Multiverse Computing, tem previsto registrar a partir de setembro sua proposta formal para competir por uma das sete gigafábricas europeias de inteligência artificial (IA), segundo indicaram à Europa Press fontes conhecedoras do procedimento.

Nesse contexto, o Executivo de Pedro Sánchez deu luz verde no mês passado a uma injeção de 719 milhões de euros através da Sociedade Espanhola para a Transformação Tecnológica (SETT), conhecida como "SEPI Digital", destinada ao consórcio que impulsionará uma gigafábrica avançada de IA com a qual a Espanha concorrerá à convocatória comunitária. Esta iniciativa prevê mobilizar em torno de 5.000 milhões de euros.

A esta dotação se soma uma contribuição voluntária de 300 milhões de euros, aprovada pelo Conselho de Ministros em junho, à Empresa Comum Europeia de Informática de Alto Rendimento (EuroHPC), em conceito de serviços. Este organismo, com sede em Luxemburgo, é o responsável por operar as fábricas de IA e por favorecer a criação e o acesso a gigafábricas de IA no seio da União Europeia.

Banco Santander, ACS e Telefónica figuram como os três grandes sócios privados do projeto espanhol e, conjuntamente, controlarão 47% do capital da sociedade, com uma participação individual de 15,67% para cada um.

Com a incorporação de Multiverse Computing, que disporá de 4%, o bloco privado alcançará 51% do capital e assumirá o controle da entidade, enquanto o Governo manterá 47,99% através da SETT e a Generalitat da Catalunha contará inicialmente com 1%.

A iniciativa terá uma dupla localização em Móra la Nova (Catalunha) e em San Fernando de Henares (Madri), mobilizará cerca de 5.000 milhões de euros e permitirá que universidades, pmes, centros de pesquisa e instituições espanholas aumentem de forma notável sua capacidade de pesquisa e inovação, reforçando ao mesmo tempo a competitividade nacional na corrida global pela inteligência artificial.

O catalão Francesc Fajula, que abandonou recentemente seu posto como conselheiro delegado da Fundació Mobile World Capital Barcelona (FMWCB), foi o primeiro alto executivo a se juntar ao consórcio e assume agora a direção executiva da nova gigafábrica avançada de inteligência artificial.

Convocatória europeia para as gigafábricas de IA

A Comissão Europeia lançou a convocação para levantar até sete gigafábricas de IA em território comunitário, uma aposta com a qual pretende mobilizar mais de 30.000 milhões de euros de investimento público e privado com o fim de dotar a UE das infraestruturas imprescindíveis para desenvolver modelos avançados desta tecnologia.

Bruxelas prevê aportar até 10.000 milhões de euros de financiamento europeu e nacional com o objetivo de atrair pelo menos outros 20.000 milhões de capital privado e sublinha que as futuras instalações estarão ao serviço de empresas, pmes, "startups", centros de investigação, universidades e administrações públicas para desenhar, treinar e executar este tipo de sistemas.

Os recursos serão articulados através do EuroHPC, que junto com 18 Estados membros --entre eles Espanha-- adquirirá de forma conjunta o acesso à capacidade de cálculo das gigafábricas selecionadas.

A convocação permanecerá aberta até 12 de novembro e a Comissão tem previsto adotar as decisões de adjudicação no início de 2027, com a intenção de iniciar ainda esse ano a construção das primeiras instalações.

Infraestruturas de computação avançada e fortalezas de Espanha

As gigafábricas de IA são grandes infraestruturas de computação avançada desenhadas para o treinamento e inferência de modelos de IA em grande escala e são consideradas peças chave para que a Europa possa competir a nível global e preservar sua autonomia estratégica em pesquisa e em setores industriais críticos.

Espanha reúne diversas vantagens para optar por uma dessas instalações europeias de IA.

No âmbito da conectividade digital, a cobertura de fibra ótica atinge 95,97% da população, frente a 74,13% de média na UE, percentagens que nas zonas rurais situam-se em 88,7% e 62,6%, respectivamente.

O despliegue de 5G chega a 99,17% da população total e a 95,69% em áreas rurais, apoiado em uma rede internacional de cabos submarinos que liga Espanha com a América e a África e a situa como "hub" de conectividade digital no sul do continente europeu.

No que diz respeito à energia, a eletricidade em Espanha resulta mais barata que em países como Alemanha, Reino Unido ou Itália, segundo Eurostat, e as energias renováveis superam já os 60% do "mix" elétrico nacional.

O país dispõe além de uma sólida infraestrutura pública para o desenvolvimento de IA, articulada em torno da Rede Espanhola de Supercomputação, na qual se destacam o "Mare Nostrum 5", um dos supercomputadores mais potentes do mundo (quarto na rede europeia), e as fábricas de IA do Barcelona Supercomputing Center (BSC) e do Centro de Supercomputação da Galícia CESGA, junto com "Alia" como infraestrutura de modelos de linguagem e um ecossistema empresarial que desenvolve tecnologias chave na cadeia de valor da IA.

No plano normativo, a Espanha se situa como referência mundial em marcos legislativos sobre IA, tem impulsionado um piloto de "sandbox" regulatório, publicou guias de acompanhamento normativo para companhias e conta com uma agência específica de supervisão, tudo isso no âmbito de suas estratégias nacionais de 2021 e 2024.

Por último, a Administração Pública exerce um papel trator da demanda, situando o país como o terceiro do mundo em contratos públicos vinculados à IA entre 2013 e 2024.

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