O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), considerado o maior 'lobby' financeiro do planeta, avaliou positivamente o relatório divulgado nesta sexta-feira pela Comissão Europeia para reforçar a competitividade da banca no Velho Continente e avançar em direção a um autêntico Mercado Único. A juízo da entidade, as futuras iniciativas que se articularem a partir das recomendações do documento "devem ser audaciosas e ambiciosas".
O IIF destacou que as entidades financeiras europeias são chave no financiamento de famílias e empresas, assim como no apoio à inovação e na canalização dos investimentos necessários para responder às prioridades econômicas e estratégicas da União Europeia. Por isso, sustenta que, para que o setor possa cumprir eficazmente essa função, é imprescindível um marco regulatório e supervisor que mantenha a resiliência, mas que ao mesmo tempo seja proporcionado, sensível ao risco, previsível e favorável a um crescimento econômico sustentável.
"Um setor bancário competitivo e eficiente será essencial para financiar a dupla transição digital e ecológica da Europa, fortalecer a segurança econômica, apoiar os investimentos em defesa e resiliência, e promover os objetivos da União de Poupança e Investimento", ressaltou a organização bancária internacional.
Nessa linha, o IIF valorizou que Bruxelas priorize a modernização do emaranhado normativo e a simplificação da regulação, reduzindo a complexidade e as duplicidades supérfluas. Ao mesmo tempo, incidiu que essa abordagem não deve ser entendida como uma desregulação, mas como uma ocasião para assegurar que as regras e os critérios de supervisão sejam coerentes, estejam bem calibrados, se concentrem nos riscos realmente relevantes e sejam aplicados de forma homogênea em todos os países da UE.
Assim, a instituição insistiu que as próximas iniciativas políticas que derivarem das recomendações do relatório devem ser decididas e ambiciosas, e contemplar de maneira global o efeito acumulado das exigências regulatórias, de supervisão, de informação, de resolução, de conduta e de sustentabilidade sobre a capacidade dos bancos para impulsionar o crescimento e o investimento.
"A oportunidade agora reside em consolidar esta sólida base e garantir que o quadro também permita aos bancos europeus financiar o crescimento, a produtividade, o investimento e a inovação adicionais, para assim cumprir com as prioridades estratégicas mais amplas da União", destacou Tim Adams, presidente e CEO do IIF.
O plano exposto nesta sexta-feira pela Comissão Europeia para reforçar a competitividade do sistema bancário da União, com a meta de que a banca comunitária supere a atual fragmentação por países e alcance a "escala" necessária para rivalizar com os grandes grupos internacionais, em especial os dos Estados Unidos, se concretizará em propostas legislativas dirigidas aos Estados membros no primeiro trimestre de 2027.
Com este pacote, Bruxelas pretende suprimir os entraves nacionais que, entre outros efeitos, mantêm "atrapados" mais de 230.000 milhões de euros em ativos líquidos dentro das fronteiras de cada país da União.