A Fiscalia da Colômbia apresentou nesta terça-feira acusações contra o chefe das dissidências das FARC Alexander Díaz Mendoza, conhecido como "Calarca", a quem atribui crimes de homicídio, desaparecimento e deslocamento forçado, assim como recrutamento de menores, entre outros fatos cometidos entre 2022 e 2026.
A imputação foi formalizada em uma audiência depois que um juiz de controle de garantias autorizou que "Calarcá" seja processado como pessoa ausente, devido às suas reiteradas ausências ao longo do procedimento judicial.
Segundo detalhou o delegado contra a criminalidade organizada da Fiscalia, Raúl González, a Díaz Mendoza é responsabilizado por conluio para delinquir, homicídio qualificado de pessoa protegida, homicídio qualificado, tráfico e posse de armas de uso privativo das Forças Militares e recrutamento de menores.
Concretamente, é apontado pelo assassinato de seis signatários dos Acordos de Paz, entre eles um dos negociadores, assim como pelo deslocamento forçado de várias famílias no departamento do Meta.
As investigações também o vinculam a três massacres no departamento do Guaviare: um ocorrido em janeiro de 2026, com um saldo de 25 vítimas fatais; outro em abril de 2025, no qual morreram sete militares; e um terceiro em janeiro desse mesmo ano, no qual faleceram 20 pessoas, incluindo sete menores de idade.
"Também se encontram elementos de prova que indicam o recrutamento de jovens menores de idade para essas organizações (...) o deslocamento forçado e um evento de desaparecimento forçado (...) e algumas imagens de atos de tortura", apontou González.
O Estado Maior dos Blocos e Frentes (EMBF) é integrado por três estruturas, entre elas o bloco Jorge Briceño, liderado por "Calarcá", considerado o principal dirigente dessas dissidências, uma cisão do Estado Maior Central (EMC) das FARC, liderado por Néstor Vera Fernández, conhecido como "Iván Mordisco".