O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, solicitou ao seu homólogo americano, Donald Trump, um pacote extraordinário de mísseis Patriot com o objetivo de reforçar a proteção da rede energética ucraniana diante da previsível campanha de bombardeios russos durante o próximo inverno.
A petição do dirigente ucraniano ocorreu nesta terça-feira na reunião a portas fechadas que ambos mantiveram no Salão Oval, conforme confirmou o próprio Zelenski em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pelo portal Axios.
"Precisamos de Patriot para ontem", enfatizou Zelenski, que sublinhou que não basta com a autorização de Washington para produzir esses mísseis em território ucraniano, uma vez que será necessário pelo menos um ano para alcançar uma fabricação em massa.
O propósito de Kiev é garantir um mínimo de 300 mísseis interceptores antes que o inverno chegue, período em que a Rússia intensifica seus ataques contra instalações energéticas. A grave escassez desses projéteis já dificultou ao máximo repelir a última grande ofensiva de mísseis sobre Kiev.
Zelenski detalhou que a Rússia emprega entre 30 e 40 mísseis balísticos em cada ataque de grande escala contra a Ucrânia, com uma frequência de entre três e cinco ofensivas mensais. Além disso, indicou que mantêm conversas com empresas americanas para aperfeiçoar os mísseis de produção nacional e aproximar suas prestações às dos Patriot.
Essa nova exigência se soma aos avisos que Zelenski vem lançando nos últimos meses, alertando que os sistemas de defesa antiaérea estão praticamente vazios para enfrentar esses bombardeios. Por isso, insistiu na necessidade de que os Estados Unidos concedam todas as licenças necessárias para fabricar Patriot na Ucrânia e assim diminuir a dependência dos arsenais de seus aliados.
Trump deu seu apoio a essas solicitações durante a última cúpula da OTAN, realizada no início do mês em Ancara. "Acho que vamos fechar esse acordo (....) Vamos conceder a vocês uma licença para fabricar mísseis Patriot", afirmou o presidente dos Estados Unidos na capital turca.
CONVERSAS SUSPENSAS
Zelenski explicou que este último encontro na Casa Branca deveria servir de antecâmara a uma próxima visita dos enviados especiais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, que, embora tenham mantido contatos com Moscovo e Kiev, concentraram boa parte de seus esforços na crise do Irã.
Segundo o mandatário ucraniano, esta viagem poderia ocorrer em cerca de duas semanas, o que finalmente limitaria a data de uma visita que vem sendo cogitada há meses e que seria a primeira que ambos realizam a Kiev, após várias rodadas de contatos anteriores no Kremlin.
Zelenski assegurou que estão prontos para analisar em profundidade com eles todas as propostas sobre a mesa para tentar pôr fim à guerra, embora tenha voltado a questionar se o presidente russo, Vladimir Putin, tem uma vontade real de deter o conflito.
Ao mesmo tempo, Zelenski destacou que a relação com Trump melhorou de forma notável e considera que isso se deve em parte à evolução recente da guerra, com a Ucrânia realizando ataques cada vez mais audaciosos e a Rússia enfrentando, pela primeira vez desde o início da invasão em fevereiro de 2022, um crescente mal-estar interno.
"Nossas relações são muito melhores e mais construtivas. Já não são tão emocionais como antes. E acho que é bom que tenham melhorado", assinalou Zelenski, que com a visita de terça-feira soma já sua terceira aparição no Salão Oval desde aquele encontro tenso do final de fevereiro de 2025.