Ao completar um mês dos terremotos que abalaram a Venezuela, o opositor venezuelano Edmundo González sublinhou que a reconstrução do país implica também redefinir o papel do Estado, que deve se situar "a serviço de seu povo", em contraste com o que, em sua opinião, foi visto durante estas semanas.
Em uma carta divulgada em suas redes sociais, González denuncia que, passado este primeiro mês, os afetados pelos sismos "devem reconstruir suas vidas sem respostas suficientes, sem certezas e, muitas vezes, sem o apoio que deveriam receber do Estado".
O dirigente lembra que a opinião pública pôde comprovar como "quase três décadas" de "desmantelamento progressivo das instituições", "a corrupção" e "a indiferença" complicaram seriamente as tarefas de recuperação, e sustenta que a catástrofe deixou ainda mais expostas essas carências estruturais.
"É claro que ninguém pode evitar que a terra trema, mas aqueles que exercem o poder têm sim a responsabilidade de responder quando a população precisa de maior proteção e, mais ainda, quando o país enfrenta uma das maiores catástrofes naturais de sua história", enfatizou.
González valoriza a capacidade de resistência demonstrada pela cidadania neste tempo, "sempre solidários", assumindo funções que deveriam corresponder ao Estado. "Essa solidariedade honra o país, mas já não pode continuar sendo utilizada para encobrir a orfandade institucional", advertiu.
Nesta linha, insiste que "a reconstrução da Venezuela não é apenas levantar moradias, reconstruir hospitais, escolas e estradas. Exige também recuperar um Estado que proteja, responda e nunca volte a dar as costas ao seu povo".
O opositor, que reside na Espanha, sustenta ainda que, embora "a força possa administrar o poder por um tempo", a verdadeira "legitimidade" só se obtém com o apoio cidadão. "Aqueles que não forem capazes de compreendê-lo acabarão se afastando também do país que dizem representar", afirmou.
"A reconstrução da Venezuela começa por recuperar um Estado a serviço de seu povo. Esse é e continuará sendo meu compromisso", concluiu González.
Em paralelo, a oposicionista e prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, divulgou um vídeo em suas redes sociais no qual expressa seu pesar por não poder se encontrar fisicamente na Venezuela neste momento, embora assegure acompanhar "em um plano simbólico e espiritual" todas as famílias atingidas pela tragédia.
"Não há um único instante em que não deseje com toda a minha alma poder nos abraçar, nos olhar nos olhos, nos acompanhar como este momento merece", afirma em uma mensagem carregada de emoção, ilustrada com imagens da "maior tragédia" que o país já viveu.
"Todos estamos enfrentando essa tragédia de uma maneira muito pessoal", acrescenta, após confessar que sua "vida chora" por aqueles que foram afetados. "É momento de nos sustentarmos, de cuidarmos uns dos outros (...) Nós temos um ao outro. E essa é a força que nos mantém e nos manterá sempre", concluiu Machado.