O comissário europeu de Interior e Migração, Magnus Brunner, avisou esta quinta-feira que a União Europeia continuará exposta a crises migratórias como a vivida recentemente em Ceuta enquanto a vigilância das fronteiras exteriores continuar condicionada pela "boa vontade" dos países vizinhos. Por isso, instou a reforçar os meios próprios da UE para prevenir que se repitam este tipo de situações.
"Enquanto o controle depender da boa vontade de um Estado vizinho, continuaremos sendo vulneráveis", sublinhou durante sua intervenção perante a comissão de Liberdades Civis, Justiça e Assuntos de Interior do Parlamento Europeu, onde reclamou extrair "as lições corretas" da crise de Ceuta a fim de fortalecer a política migratória comunitária.
O responsável austríaco admitiu que "este episódio de três dias na praia de uma cidade", que "abalou a política de todo um continente", representou uma "prova de resiliência e de segurança" para as fronteiras exteriores. No entanto, ressaltou que "as imagens dramáticas superam, na realidade, as melhores estatísticas" e que "a queda das chegadas e a recuperação do controle importaram muito pouco na semana passada aos olhos da opinião pública europeia".
Neste cenário, Brunner defendeu a plena aplicação do Pacto de Migração e Asilo, o reforço do papel da Frontex e uma cooperação mais profunda com os países de origem e trânsito. Ao mesmo tempo, destacou a importância de aperfeiçoar os sistemas de alerta precoce para identificar a tempo movimentos coordenados e campanhas de desinformação.
Também pediu para redobrar a luta contra as redes de tráfico de migrantes e agilizar os retornos de quem não tem direito a permanecer em território europeu, como parte de uma estratégia voltada a impedir que se repitam episódios como o de Ceuta.
Brunner ressaltou, em qualquer caso, que a atuação das autoridades espanholas, a coordenação com Marrocos e o apoio das instituições comunitárias tornaram possível conter a crise e salvaguardar a integridade do espaço Schengen.