Cepeda apresenta um Gabinete da Vida para confrontar as políticas de De la Espriella

Iván Cepeda lança em Barranquilla um "Gabinete da Vida" para opor-se às políticas de Abelardo de la Espriella e defender as reformas sociais.

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O ex-candidato à Presidência da Colômbia Iván Cepeda apresentou nesta sexta-feira em Barranquilla um "Gabinete da Vida" com o qual pretende fazer oposição "desde a razão" às políticas de Abelardo de la Espriella, horas antes de que este assuma a Presidência em Cali.

Perante centenas de assistentes, explicou que este "gabinete" terá como cometido "controverter com sólidos argumentos e informação as políticas do" Executivo ultradireitista que tomará posse nesta sexta-feira.

Ao mesmo tempo, sublinhou que esta oposição se propõe "avançar e aprofundar ao máximo nas reformas sociais que não permitiremos que sejam arrancadas do povo". "Não responderemos ao ódio com ódio, nem ao autoritarismo com violência. Responderemos com a força da razão, com a mobilização cidadã, com a organização popular e com a esperança", indicou o senador.

"A desobediência civil pacífica que hoje começa a se expressar constitui uma resposta democrática frente ao que consideramos uma grave ameaça para a República. Será uma desobediência inspirada na Constituição, nos princípios da não violência e na defesa inquebrantável da dignidade humana", afirmou, amparado por deputados do Pacto Histórico.

Durante sua intervenção, Cepeda insistiu que não reconhece a legitimidade de De la Espriella para liderar o país, argumentando que será "agente a serviço dos interesses dos Estados Unidos", o que, em sua opinião, supõe uma "incompatibilidade insuperável" com a obrigação de representar a soberania e os interesses da Colômbia.

"O juramento que prestará em poucas horas é um ato que protocolizará a submissão de nossa independência à vontade e à dominação do governo dos Estados Unidos", acrescentou, lembrando os vínculos do presidente eleito com Alex Saab, de quem foi advogado, e com grupos paramilitares.

O ex-candidato presidencial, que reivindicou o que foi alcançado durante o mandato do presidente saindo, Gustavo Petro, alertou que o projeto de De la Espriella constitui uma "ameaça real para os fundamentos da democracia na Colômbia", pelo que chamou a cidadania a "defender a vida, a democracia, a justiça, a equidade e as reformas sociais conquistadas, a cultura da diversidade, a soberania nacional, o respeito pelos direitos humanos, a natureza, a água".

"Nada do que foi alcançado teria sido possível sem a vontade coletiva de um povo que decidiu acreditar que a Colômbia poderia ser diferente. Nada do que foi alcançado deixaremos que se perca. Lutaremos até o limite e mais, para garantir e ampliar os direitos do povo colombiano", afirmou.

"Hoje culmina uma fase. Mas a história das transformações não para nem aqui nem agora. As conquistas alcançadas as conseguimos com o povo, pertencem ao povo e será o povo quem as defenderá, as preservará e as levará ainda mais longe", sustentou.

Cepeda pronunciou este discurso em Barranquilla, poucas horas antes da posse de De la Espriella como presidente da Colômbia em Cali, um ato ao qual não assistirão nem Petro nem o ex-candidato do Pacto Histórico.

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