Estados Unidos comunicou a imposição de novas sanções contra seis entidades e uma pessoa supostamente ligadas às operações financeiras do regime iraniano por meio de ativos digitais, com o objetivo de cortar a Teerã possíveis acessos ao sistema financeiro internacional.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos indicou que as autoridades iranianas utilizam diversos canais para mover e lavar "milhares de milhões de dólares" provenientes de atividades ilícitas, entre eles plataformas de troca de ativos digitais que facilitam manter conexões financeiras fora das fronteiras do país.
As medidas alcançam duas plataformas que, segundo Washington, desempenham um papel chave na preservação da conectividade financeira internacional do regime, ao responsável por uma rede empresarial associada a operações ilícitas com ativos digitais e a várias companhias relacionadas com essa estrutura.
O anúncio ocorre após os ataques atribuídos ao Irã contra navios mercantes no estreito de Ormuz no início desta semana. Nesse contexto, a Administração dos Estados Unidos sustenta que as sanções pretendem privar Teerã dos recursos necessários para realizar atividades que Washington considera uma ameaça para os países vizinhos e para a segurança da navegação comercial.
Estados Unidos acusa ainda o Irã de empregar esses fundos para apoiar organizações terroristas e avançar em seus objetivos vinculados ao seu programa nuclear.
"O regime iraniano blanqueia milhares de milhões de dólares movendo fundos ilícitos através de diversos canais, incluindo as plataformas de troca de ativos digitais", apontou o porta-voz do Departamento de Estado, Thomas "Tommy" Pigott, em um comunicado emitido nesta sexta-feira.
Ao mesmo tempo, o programa Recompensas pela Justiça (RFJ, na sigla em inglês) do Departamento de Estado mantém vigente uma oferta de até 15 milhões de dólares em troca de informações que permitam desarticular os mecanismos de financiamento do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (CGRI) e suas diferentes ramificações.
As novas sanções se baseiam nas ordens executivas 13902 e 13224. A primeira faculta agir contra pessoas e entidades que operam em determinados setores da economia iraniana, como o financeiro e o petrolífero, enquanto a segunda fornece o marco jurídico para as ações americanas contra redes relacionadas ao terrorismo.
Washington reafirma assim sua estratégia de pressão econômica sobre Teerã, centrando-se especialmente nas estruturas que permitem ao regime iraniano eludir as restrições financeiras internacionais e canalizar recursos por meio de empresas e plataformas de ativos digitais.
De forma paralela, o Tesouro dos Estados Unidos também comunicou nesta sexta-feira sanções contra duas casas de câmbio, cinco empresas e quatro indivíduos acusados de facilitar o movimento de "centenas de milhões de dólares" através do sistema bancário sombra do Irã.