O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, sublinhou a importância de que sejam garantidos "os direitos e a dignidade" de todas as pessoas que chegam a Ceuta, em um contexto marcado pela travessia de milhares de pessoas, na sua maioria de nacionalidade marroquina, de Marrocos para a cidade espanhola.
"O secretário-geral quer garantir que sejam respeitados os direitos e a dignidade de todas as pessoas que chegam a Ceuta", destacou seu porta-voz adjunto, Farhan Haq, em declarações à Europa Press.
Paralelamente, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) rejeitou que o aumento de chegadas a Ceuta responda a "uma única causa", ao considerar que são "múltiplos" os elementos que explicariam que, na última semana, mais de 2.000 migrantes tenham alcançado a cidade autônoma.
"Embora a recente interpretação de uma disposição legal por parte do Tribunal Supremo espanhol possa ser um dos fatores que influenciam a situação atual, também é necessário levar em conta muitos outros fatores, e não seria adequado atribuir o aumento das chegadas a um único acontecimento", apontou a ACNUR.
Esta quinta-feira, Ceuta viveu a maior crise migratória desde maio de 2021, com a entrada contínua de milhares de pessoas, na sua maioria jovens marroquinos, embora também famílias com mulheres e menores, que conseguiram acessar a cidade autônoma contornando o espigão do Tarajal e evitando a cerca fronteiriça.
Diante deste cenário, Espanha e Marrocos pactuaram reforçar a coordenação para proceder à devolução "o mais rápido possível" de todas as pessoas que entraram de maneira irregular. Ao mesmo tempo, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, ressaltou que ambos os países colaboram para restabelecer a normalidade, enquanto o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, se deslocará esta sexta-feira a Ceuta para gerenciar no terreno a evolução da crise.