Altos cargos políticos e comandos militares do Irã saíram nas últimas horas para contradizer a última mensagem lançada na madrugada de hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a suposta reabertura do estreito de Ormuz, insistindo que não foi alcançado nenhum tipo de entendimento a respeito deste enclave estratégico.
"Simplesmente é falso", segundo fontes da equipe negociadora iraniana à agência semioficial do país, Fars, que também recebeu o desmentido de responsáveis militares sob anonimato. "Enquanto continuarem os atos hostis e maliciosos dos Estados Unidos, o estreito continuará fechado", acrescentaram.
A agência iraniana Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, igualmente rejeitou a mensagem divulgada por Trump há algumas horas, na qual afirmava ter optado por frear as últimas operações contra o Irã, supostamente a pedido de Teerã, com a vista posta em uma possível reabertura do passo marítimo.
Na realidade, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, transmitiu neste último sábado à noite ao seu homólogo saudita, Faisal bin Farhan, que a situação em Ormuz permanece exatamente igual e que o país está pronto para responder a qualquer ofensiva americana. Esta conversa com o chefe da diplomacia saudita foi posteriormente relatada pelo príncipe herdeiro do reino árabe, Mohamed bin Salmán, durante a chamada telefônica que manteve com Trump neste domingo.
A Rússia, aliada de Teerã, manifestou nas últimas semanas seu crescente descontentamento com o rumo das conversas, algo que se reflete nas declarações publicadas neste domingo nas redes sociais por seu representante permanente ante a ONU, Mijail Ulyanov, que expressou que essas negociações estão se transformando em um autêntico quebra-cabeça.
"Aqui começa a haver declarações contraditórias demais sobre a busca de um acordo, e a maioria procede de Washington", lamentou o diplomata russo.