O Kremlin assegurou esta quarta-feira que a nova mudança na cúpula das Forças Armadas da Ucrânia demonstra que esse "regime está cambaleando de dentro" e insistiu que não terá repercussão na situação da frente.
O porta-voz presidencial, Dimitri Peskov, inicialmente evitou pronunciar-se sobre a saída de Oleksandr Sirski da chefia das Forças Armadas ucranianas, embora finalmente sublinhasse "que se vê a olho nu" que "o regime de Kiev está cambaleando de dentro".
Na mesma linha, Peskov descartou que a destituição de Sirski e a nomeação de Mijailo Drapati como novo comandante em chefe das Forças Armadas da Ucrânia "vá provocar qualquer mudança na frente", onde, ressaltou, o que acontece "é bem conhecido".
"Nossas Forças Armadas continuam com as operações ofensivas ao longo de toda a frente, no âmbito da operação militar especial, e se vê a olho nu que todas essas perturbações são uma evidência de que o regime de Kiev está cambaleando", afirmou o porta-voz em coletiva de imprensa, segundo recolhe a agência TASS.
A renovada cúpula militar ucraniana tomou posse esta quarta-feira, depois que na véspera o presidente Volodimir Zelenski surpreendeu com a destituição de Oleksandr Sirski e, dias antes, com a de Mijailo Fedorov, que abandonou o cargo de ministro da Defesa em meio a reproches ao anterior chefe do Exército.
As desavenças entre Sirski e Fedorov, latentes desde que este último assumiu a pasta da Defesa há meio ano, eram um segredo a vozes. A saída do ministro tornou visível perante a opinião pública que ambos só podiam se comunicar através da mediação de Zelenski, que já havia advertido que essa situação era incompatível com o objetivo de ganhar a guerra.
Embora a destituição de Fedorov tenha se enquadrado em uma remodelação mais ampla do gabinete, que incluiu a troca do primeiro-ministro, a decisão foi mal recebida por uma parte da cidadania, que via nele um dos artífices de vários avanços no campo de batalha e saiu às ruas para mostrar seu repúdio.
Essas concentrações, nas quais participaram centenas de pessoas, não só defenderam a figura do jovem Fedorov, mas também questionaram a cadeia de mudanças à frente do Ministério da Defesa, que desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022 já teve cinco titulares distintos.
Com a destituição de Sirski, Zelenski aspira a fechar um episódio que ameaçava projetar dúvidas sobre a coesão e a capacidade da defesa ucraniana, em um momento em que de Kiev ressaltam que o conflito entra em uma fase decisiva.