O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu às autoridades russas que garantam a liberdade de expressão e o direito da população de participar livremente nos processos eleitorais, depois que o partido opositor Yabloko foi excluído das eleições legislativas previstas para o próximo mês de setembro.
"O Alto Comissário insta as autoridades a respeitar a liberdade de expressão e o direito dos cidadãos de participar plena e livremente nos processos eleitorais. A dissidência pacífica nunca deve ser criminalizada", indicou seu escritório em uma mensagem divulgada nas redes sociais.
Turk manifestou sua preocupação não apenas pela inabilitação de Yabloko, considerada a única formação política abertamente contrária à guerra da Ucrânia, mas também pela condenação a mais de 11 anos de prisão imposta ao seu vice-presidente, Lev Shlosberg.
O dirigente opositor, conhecido por sua postura antibelicista, foi condenado por desacreditar e difundir informações falsas sobre as Forças Armadas russas no contexto da guerra da Ucrânia, após intervir em um debate com um historiador no qual se posicionou contra a invasão e voltar a publicar em suas redes sociais a capa de um jornal britânico crítico ao presidente russo, Vladimir Putin.
Esta segunda-feira, pelo menos 35 simpatizantes do partido foram presos quando tentavam assistir à audiência de apelação perante o Tribunal Supremo russo, que acabou confirmando o veto a Yabloko, apesar de seu líder, Nikolai Ribakov, ter rejeitado as acusações de suposta "financiamento estrangeiro".