O vice-chanceler da Alemanha, o social-democrata Lars Klingbeil, diminuiu o tom das declarações de seu Executivo sobre a crise de Ceuta e apelou à "solidariedade e respeito" em relação à Espanha, em um contexto de críticas de vários governos europeus às políticas migratórias espanholas, às quais atribuem um suposto efeito chamada.
Frente a essas acusações, Klingbeil insistiu que as dezenas de milhares de pessoas que cruzaram a fronteira nadando pelo espigão do Tarajal "foram utilizadas em uma tentativa de dividir a Europa". Na sua opinião, neste cenário "é preciso agir com a Espanha, não falar sobre a Espanha".
Convém lembrar que o Governo alemão, presidido pelo conservador Friedrich Merz, figura entre os 22 estados da União Europeia que relacionaram a entrada maciça, na qual quase 70 pessoas morreram afogadas, com as decisões em matéria migratória adotadas pela Espanha.
O dirigente do Partido Social-Democrata (SPD) defendeu, por outro lado, que o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, conseguiu com uma atuação rápida e firme que a grande maioria dos que haviam chegado a Ceuta retornasse ao Marrocos em um prazo muito reduzido.
"A Europa, especialmente em situações como esta, não deve permitir-se dividir", enfatizou o vice-chanceler alemão, sublinhando a necessidade de fechar fileiras com a Espanha diante desta crise fronteiriça.