O presidente saindo da Colômbia, Gustavo Petro, atacou neste domingo o Governo de Marrocos, a quem acusa de "entregar-se" aos "desígnios" do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Segundo expressou em uma mensagem divulgada em plena crise migratória desta semana na cidade autônoma de Ceuta, o dirigente israelense pretende "destruir o progressismo democrático da Europa".
"O povo marroquino deve parar de olhar para a Espanha e concentrar-se no próprio poder de Marrocos que se entregou ao desígnio de um genocida foragido no mundo: Netanyahu", denunciou Petro em uma mensagem publicada nas redes sociais.
Nessa mesma intervenção, o mandatário colombiano relacionou a entrada maciça de milhares de marroquinos na quinta e na sexta-feira pelo espigão ceutí do Tarajal com a "aliança" selada pelo ditador Francisco Franco com os "descendentes do antigo califado", em referência velada aos Regulares que atuaram como força de choque desde os primeiros compasses da sublevação de 1936.
"A Espanha deve lembrar sua história escrita com sangue, querem levar o fascismo ao povo espanhol e o povo espanhol deve dizer: Não passarão. E a civilização árabe deve dizer: Não passarão", manifestou o ainda presidente colombiano antes de voltar a apontar para o "foragido da justiça", Netanyahu, sobre o qual pesa uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional por acusações de crimes de guerra e contra a humanidade em Gaza, "que paga aos pobres do Islã para emigrar para a Espanha".
"Os pobres do Islã devem obter o direito de decidir uma democracia real em Marrocos. Um Marrocos árabe democrático, unido ao povo árabe, para defender a cultura e a essência mesma do que foi escrito em livros que, por sua sabedoria, foram sagrados: a Bíblia e o Alcorão, que falam de amor e de diálogo", acrescentou.
"Tiraram a liberdade da Palestina e querem destruir o progressismo democrático da Europa. Querem destruir a Palestina e a essência democrática e libertária de toda a Europa; a essência da cultura ocidental", acrescentou.
Por fim, Petro pediu respeito pela Espanha porque "não é Franco o fascista que paga para invadir e bombardear Guernica ou os árabes para invadir a República", mas sim "quem paga é Netanyahu, que matou 22.000 bebês sagrados palestinos, ali onde nasceu Jesus, e onde está a cidade sagrada e multicultural de Jerusalém".
"É tempo de diálogo de civilizações e é preciso deter o fascismo", concluiu o presidente.