O presidente saindo da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a criticar o resultado das eleições presidenciais nas quais o ultradireitista Abelardo de la Espriella foi proclamado como seu substituto na Casa de Nariño. O futuro mandatário adiantou sua intenção de transferir a sede presidencial e converter o atual palácio em um museu aberto ao público, mas Petro continua sem reconhecer sua vitória.
"Exigem que eu me comporte bem, mas como um democrata pode aceitar uma fraude eleitoral? Nem nos Estados Unidos nem em lugar nenhum do mundo", afirmou Petro diante da imprensa, sublinhando que seu "compromisso" é "com o povo" e "com o país".
Insistindo que "não existe" uma "votação vitoriosa" para Abelardo de la Espriella, o dirigente colombiano advertiu que no próximo 7 de agosto, na cidade de Cali, o país verá assumir o cargo um "presidente ilegítimo" porque, reiterou, "quem ganhou se chama Iván Cepeda".
"Estrangeiros fizeram com dinheiro estrangeiro a fraude eleitoral que impõe um presidente que não ganhou as eleições. Adeus soberania nacional. E para que serve uma nação sem soberania nacional? Não é república, não é soberana. Toda a Constituição da Colômbia desmorona e somos colônia, então, a partir das 15h00 (hora local) da sexta-feira, colônia", alertou Petro, que no dia 21 de julho apresentou uma demanda para anular as eleições presidenciais denunciando uma suposta "manipulação algorítmica" do voto.
Novas evidências da suposta fraude
Esta segunda-feira, o chefe de Estado divulgou um pacote de materiais que, segundo sua versão, respaldam a existência da fraude eleitoral que vem denunciando em relação às presidenciais de 2026. Ele explicou que esses elementos procedem do trabalho conjunto de organizações cidadãs, especialistas em programação, estatística e direito.
"Este conjunto de evidências deve ser considerado assim, em conjunto, para encontrar que, efetivamente, o que houve foi uma fraude eleitoral algorítmica, sistemática, e sobre um volume de votos enorme, e em favor de Abelardo de la Espriella, sem que houvesse a decisão popular", afirmou.
Na sua intervenção, Petro questionou o desempenho da Registradoria Nacional do Estado Civil e do Conselho Nacional Eleitoral, a quem acusa de ignorar uma decisão do Conselho de Estado de 2018 que, segundo lembrou, ordenava modificar o software eleitoral para que passasse a ser de propriedade estatal e não pudesse ser intervenido de dentro nem de fora do país.
Além disso, criticou a supressão do chamado "candado hash" nas atas oficiais de cada mesa, os formulários E-14. Este sistema, apontou, permitia garantir que os documentos em PDF permanecessem inalteráveis.
Baseando-se na investigação apresentada, o mandatário apontou que, segundo o trabalho dos "testemunhos digitais" e o "Frente Digital", foram detectados 1.350 locais de votação com padrões estatísticos que não se ajustam a um comportamento aleatório. Essas irregularidades, destacou, teriam afetado cerca de sete milhões de votos por meio de um suposto software utilizado para modificar os resultados.
Medo de uma comoção interior
Por outro lado, Petro reiterou que se comprometeu a "não levar a Colômbia para as armas e a violência", embora tenha advertido que agora "está claro o que pode ser uma guerra civil" no país. "Temos informações de dezenas de toneladas de explosivos em Cali, Valle del Cauca e outros lugares. Estamos tentando pegá-los porque se chegar até lá, o que temos é terrorismo", avisou.
Na sua opinião, este cenário "se compagina com uma lógica" que estaria orientada a "decretar o estado de comoção interior para, por decretos leis, acabar com as reformas sociais" que, ressaltou, "com tanto esforço" foram impulsionadas durante seu mandato.
Embora no final de junho o presidente saindo tenha assegurado que seu Executivo estava preparado para enfrentar uma transição "ordenada e transparente" e "não ser um obstáculo" para o recém-eleito, Petro não deixou de questionar, uma e outra vez, os resultados das eleições que desembocarão na posse do novo chefe do Estado colombiano.