O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se nesta quarta-feira mais distante em relação ao conflito com o Irã e diminuiu as expectativas de reabrir o canal diplomático para um pacto que ponha um ponto final nas hostilidades, ao ressaltar que neste momento a situação no estreito de Ormuz é "muito boa" e que o tráfego de petróleo pela área se mantém com normalidade.
"Talvez em algum momento. Agora a situação é muito boa", indicou o mandatário norte-americano durante um ato na Casa Branca, ao ser questionado sobre a possibilidade de retomar as conversas com Teerã, uma vez cumprido o prazo de 60 dias que haviam dado os Estados Unidos e o Irã para tentar fechar um acordo definitivo.
Apesar de esfriar o diálogo, Trump reiterou que o Irã "não pode ter uma arma nuclear". "Você sabe por quê? Porque eles a usariam. Não vamos deixar que a usem", sublinhou, marcando uma de suas linhas vermelhas nesse confronto com a República Islâmica.
Em relação ao estreito de Ormuz, epicentro dos últimos atritos entre Washington e Teerã e foco de acusações mútuas pelo suposto descumprimento do pacto alcançado em junho, o presidente americano insistiu que seu país mantém o "controle total" desse corredor estratégico e que atualmente "muitos navios estão cruzando".
O inquilino da Casa Branca reconheceu que, embora a conjuntura em Ormuz não seja "perfeita", "muito petróleo está saindo" através dessa rota marítima, e ressaltou que esse fluxo é uma das razões pelas quais o preço do barril não disparou até "300 ou 350 dólares".
Além disso, vinculou a evolução dos mercados energéticos ao fato de que "as pessoas estão buscando alternativas a Ormuz". "Você já sabe quais são: Texas, Alasca, Louisiana. As pessoas vêm aos Estados Unidos em busca de petróleo", enfatizou, aludindo ao aumento da produção americana.
Paralelamente, nesta mesma quarta-feira, as autoridades iranianas asseguraram que os Estados Unidos tentam encontrar uma "saída digna" da região, em pleno 'impasse' do conflito e uma vez esgotado o plano de 60 dias para alcançar um entendimento entre Washington e Teerã, sem que haja novas conversas na agenda.
Nos dias recentes, Trump já havia confirmado que "não há conversas nem diálogo" previstos com o Irã e que o bloqueio naval em torno do estreito de Ormuz continua em vigor após a expiração do acordo assinado no mês passado de junho.