O Executivo da Ucrânia denunciou esta sexta-feira que a Rússia está aproveitando as imagens da crise migratória em Ceuta com fins propagandísticos, em particular para "alimentar o medo e desestabilizar" os Estados europeus.
O ministro ucraniano de Assuntos Exteriores, Andri Sibiga, indicou que identificaram "uma intensa campanha de propaganda russa em toda a Europa" difundida através de alguns canais que continuam operando no continente, entre eles Pravda e RT.
Sibiga detalhou que foram contabilizadas mais de 1.500 peças informativas em meios catalogados como pró-russos, sobretudo nessas duas cadeias mencionadas. "Pravda em espanhol publicou quase 300 delas. Cada edição de RT em outros idiomas impulsionou mais de 25 notícias sobre o tema", destacou.
"Durante anos, Moscovo utilizou a migração e outros temas sensíveis para alimentar o medo e desestabilizar países europeus", criticou o chefe da diplomacia ucraniana, que sublinhou que a Rússia está sempre disposta a "explorar qualquer tema que possa beneficiar sua agenda".
Na sua opinião, "a única maneira de proteger o público dessa interferência é cortá-la pela raiz. Todos os recursos de propaganda russa deveriam ser completamente proibidos em cada país europeu que leve a sério sua segurança nacional", reclamou Sibiga, em consonância com os reiterados pedidos da Ucrânia para restringir a presença de meios russos em território europeu.
Nos últimos dias, vários Governos da União Europeia reagiram à situação em Ceuta, onde cerca de 60.000 pessoas cruzaram de forma irregular de Marrocos para o enclave espanhol nas últimas horas, das quais aproximadamente metade já foi retornada, em um episódio que deixou 57 falecidos.
Entre as reações está a da Rússia, que interpreta o ocorrido como uma nova demonstração do fracasso da União Europeia em sua política migratória, ao mesmo tempo que reprocha à Espanha ter priorizado o envio de armamento e equipamentos à Ucrânia em detrimento do investimento na proteção de suas fronteiras.